Escola

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Nome:

M. Eugénia Prata Pinheiro

domingo, novembro 29, 2009

A grande esperança

Transcrevo o início do texto que António Barreto publicou há dias no Jacarandá.
Para ler, pensar e discutir...


TODOS, DESDE HÁ PELO MENOS
três séculos, esperaram sempre muito, quase tudo, da educação. Dos iluministas aos positivistas, dos cristãos aos ateus, dos fascistas aos democratas, dos conservadores aos marxistas, todos consideraram, em seu tempo e para sempre, que a escola e a educação (ou instrução) trariam as virtudes necessárias ao cumprimento das suas ambições e dos seus propósitos para as sociedades. Desejou-se tudo da escola. Julgou-se que a razão nasceria naqueles bancos. Pensou-se que o espírito cívico seria aprendido nas salas de aula. Não se duvidou de que o professor iria formar novos homens. Teve-se a certeza que uma escola ajudaria os cidadãos a respeitar a lei e a ordem. Acreditou-se em que uma boa educação elevaria o nível cultural das populações e seria fonte de desenvolvimento. Esperou-se firmemente que a escola seria obreira da igualdade social. Todos pensaram que a escola seria o mais importante factor de mobilidade social. Houve quem julgasse, com benevolência, que a escola acabaria por subverter a ordem estabelecida. Como houve quem tivesse a certeza de que a escola ajudaria a temer a Deus e a respeitar as hierarquias. De toda esta esperança, repetida e renovada, nasceram crenças, certezas e mitos de vida dura. A ponto de quase não se ser capaz de perceber que os países, as sociedades, as pessoas e as culturas nas quais nasceram as escolas actuais já não existem. Mas continua a esperar-se que a escola forneça o que os mitos decretam.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Olha o BCP

Do Público

Seis clientes do Banco Comercial Português (BCP) devem ao grupo financeiro cerca de 3,5 mil milhões de euros, o equivalente a aproximadamente 80 por cento da capitalização bolsista do grupo, que ontem totalizava 4,3 mil milhões de euros.

Só a construtora Mota Engil tem responsabilidades assumidas para com o banco da ordem de 1,2 mil milhões de euros, cerca de 28 por cento do seu valor de mercado. [...]

Para além da empresa liderada por Jorge Coelho, ex-governante socialista (ministro de Estado e do Equipamento Social), encontram-se também neste lote de grandes devedores do BCP
mais dois grupos ligados ao sector da construção, a Teixeira Duarte (Pedro Teixeira Duarte) e a Soares da Costa (Manuel Fino). No grupo estão ainda a Cimpor, cimenteira detida pela Teixeira Duarte e por Manuel Fino, o investidor Joe Berardo, e o empresário Joaquim Oliveira, dono da Controlinvest, que controla a Lusomundo e os títulos de media Diário de Notícias, Jornal de Notícias, 24Horas e TSF. [...]

Os preliminares das negociações...

Os "princípios" da proposta do ME


A proposta da FENPROF

Estaline - parte IV

Transcrevi em 12 de Novembro do Público o texto do jurista Pedro Lomba Cronologia de um golpe.

Pedro Lomba aqui prestou a seguinte declaração:

...confirmo que publiquei esta crónica no Público a 12 de Novembro, quinta-feira e na segunda-feira da semana seguinte, dia 16 de Novembro, a 2 horas de entregar o meu texto pronto para ser publicado na edição de terça do Diário Económico, como sempre fiz desde o princípio de 2008, fui contactado pelo editor de opinião do jornal informando-me de que a minha colaboração era dispensada. Não obstante ter escrito imediatamente ao director do Diário Económico manifestando a minha surpresa por ter sido dispensado sem uma explicação no próprio dia em que iria entregar um artigo, não recebi qualquer resposta.


Republico-o.


Acto I.

Estamos a 3 de Outubro de 2004 e José Sócrates é eleito líder do PS. A 9 de Outubro,
Armando Vara regressa à direcção do partido pela mão de Sócrates. A 20 de Fevereiro de
2005, o PS vence as legislativas com maioria absoluta. A 2 de Agosto de 2005, há mudanças
na Caixa Geral de Depósitos: Teixeira dos Santos afasta Vítor Martins e Vara integra o“novo” conselho de administração. A maioria dos membros desse conselho é afecta ao PS.

Avancemos no tempo. Grande plano. No primeiro semestre de 2007, a Caixa financia accionistas hostis ao conselho de administração em funções no BCP. Cresce o peso do banco do Estado no maior banco privado português. Vara e Santos Ferreira são incluídos em lista concorrente nas eleições para o conselho executivo. Os jornais falam no financiamento da
Caixa ao empresário Manuel Fino que apoia Santos Ferreira.

A 15 de Janeiro de 2008, Armando Vara é eleito vicepresidente do BCP. Segundo documento divulgado pelo próprio banco, ficam a seu cargo as competências executivas mais relevantes. Armando Vara coloca-se precisamente no coração dos movimentos de créditos, dívidas,
compras e vendas de acções e activos. No centro do fluxo de todos os interesses e influências.
Chegados aqui, com os actores certos nos papéis certos nas duas maiores instituições de crédito
nacionais (CGD e BCP), tudo se torna possível. O primeiro golpe foi concluído. Começou então o segundo.

Acto 2.

Com as
possibilidades que o controlo do BCP oferece, o recém-chegado grupo Ongoing, que
entretanto adquirira o Diário Económico e já tinha uma posição no grupo Impresa (SIC, Expresso, etc.), é financiado para novas acções. Com o grupo Ongoing: José Eduardo Moniz sai da TVI e controla-se a Media Capital, depois de uma tentativa de aquisição pela PT abortada pelo Presidente e pela oposição. Em Fevereiro de 2009 torna-se possível ajudar o
empresário Manuel Fino a aliviar os problemas financeiros (em parte criados pelo reforço da posição no BCP) junto da CGD prestando uma dação em pagamento com acções suas valorizadas cerca de 25 por cento acima do preço de cotação e com opção de recompra a seu
favor. Torna-se também possível ajudar o “amigo Oliveira” a resolver os problemas
financeiros do seu
grupo de media (Diário de Notícias, TSF, Jornal de Notícias).

Tudo factos do domínio
público que muitos a seu tempo denunciaram. Sócrates respondia com a cassete familiar: “quem tem procurado debilitar os órgãos de supervisão, lançando críticas à sua actuação no BCP, está a fazer ‘política baixa’”. Política baixa, diz ele. Estamos perto do fim desta operação bem montada. Sócrates ganhou de novo as eleições. Mas este encadeamento todo precisava de confirmação. Incrivelmente, nas escutas a Armando Vara no caso Face Oculta, eis que surge a arma do “crime” libertando fumo: “O primeiro-ministro e o ‘vice’ do BCP falaram sobre as dívidas do empresário Joaquim Oliveira, da Global Notícias, bem como sobre
a necessidade de encontrar uma solução para o ‘amigo Joaquim’. Uma das soluções abordadas foi a eventual entrada da Ongoing, do empresário Nuno Vasconcellos, no capital do grupo. Para as autoridades, estas conversas poderiam configurar o crime de tráfico de influências”. (Correio da Manhã, 7 de Novembro). Escutas nulas, disse o Supremo. Os factos, meus amigos, é que não são.

quarta-feira, novembro 25, 2009

A falta de classe

Santana Castilho no Público

Perdoem hoje o estilo. A prosa sairá desarticulada, quais dardos soltos. Este artigo é, conscientemente, feito de frases curtas. Cada leitor, se quiser, desenvolverá as que escolher. Meu objectivo? Manter a sanidade mental. Escorar a coluna vertebral. Resistir. Este artigo é também uma reconfirmação de alistamento na ala dos que não trocam os princípios de uma luta pelo pragmatismo de um lance.

Porque amo a verdade e a dignidade profi ssional como os recém-chegados ao mundo amam o bater do coração das mães. Porque não esqueço os que nenhum lance poderá já compensar. Porque com a partida prematura deles perderam-se pedaços da Escola que defendo. Porque pensar em todos é a melhor forma de pensar em cada um.

A avaliação do desempenho é algo distinto da classificação do desempenho. A avaliação do desempenho visa melhorar o desempenho. A classificação do desempenho visa seriar os
profissionais. Burocratas que morreram aos 30 mas só serão enterrados aos 70 tornaram maior uma coisa menor. Quiseram reduzir realidades díspares à unicidade de fichas imbecis. Tiveram a veleidade kafkiana de particularizar em 150.000 interpretações individuais os objectivos de uma organização comum a todos. Convenceram a populaça de que se mede o intangível da mesma forma que se pesam caras de bacalhau. Chefiou-os uma ministra carrancuda, que teve o mérito de unir a classe. Chefia-os agora uma ministra sorridente, que já se pode orgulhar de dividir a classe.

Porque, afinal, custa, mas não há classe. Há jogos! De cintura.De bastidores.De vários interesses. Parlamentares, sindicalistas, carreiristas e pragmatistas ajudaram à Babel. Da
sua verve jorra a água morna de Laudicéia, a que dá vómitos.

Alçada derreteu o implacável Mário Nogueira, que, em socorro da inexperiência da ministra,
veio, magnânime, desculpar-lhe as gafes. E, cristãmente, entendeu agora, de jeito caridoso, que não seja suspenso o primeiro ciclo avaliativo. Esqueceu duas coisas: o que,reclamou antes e que ciclos avaliativos são falácias de anterior ministra. Ciclos avaliativos, Simplex I, Simplex II e o último expediente (no caso, um comunicado à imprensa, pasme-se) para dizer às escolas que não prossigam com o que a lei estabelece são curiosos comandos administrativos.

Uma lei má, iníqua, de resultados pedagogicamente criminosos, devia ter morrido às mãos do Parlamento. Por imperativo da decência, por precaução dos lesados, por imposição das promessas de todos. Quanto à remoção das mágoas, meu caro Mário Nogueira, absolutamente
de acordo. Depois de responsabilizar os que magoaram. Depois de perguntar aos magoados se perdoam. Por mim, cuja lei foi sempre estar contra leis injustas, a simples caridade cristã não remove mágoas. Não sei perdoar assim, certamente por falta de céu.

Agora, porque sou amigo de Platão mas mais amigo da verdade, duas linhas para Aguiar-
Branco. Gostei de o ouvir dizer, a meu lado e a seu convite, que a avaliação do desempenho
era para suspender. Mas não justifique a capitulação com a semântica. Poupe-me à semântica,
porque a semântica não o salva. Enterra-o. Suspender é interromper algo, temporária ou defi nitivamente. É proibir algo durante algum tempo ou indefinidamente. Substituir é colocar algo em lugar de. Não só não tinha como não terá seja o que for, em 30 dias, para colocar em lugar de. Sabe disso. Bem diferente, semanticamente. Mas ainda mais importante nos resultados. O Bloco Central reanimou-se nas catacumbas e o PS agradeceu ao PSD o salvar da face. Mas os professores voltaram a afastar-se do PSD, apesar do arrependimento patético de
Pedro Duarte. E, assim, o PSD falha a vida!

Um olhar aos despojos. Reverbera-se a falta de capacidade de muitos avaliadores para avaliar, mas homologam-se os “Muito Bom” e “Excelente”, que significam mais 1 ou 2 pontos em concurso. Os direitos mal adquiridos de alguns valeram mais que os direitos bem adquiridos de muitos (como resolverão, a propósito, os direitos adquiridos dos “titulares” que, dizem, vão
extinguir?). Porque toca a todos, muitos “titulares” que não tinham vagas de “titulares” em escolas que preferiam, foram ultrapassados em concurso por outros de menor graduação profissional, que agora lá estão, em almejados lugares de quadro. Ao mérito, há muito
cilindrado, junta-se uma palhaçada final, em nome do pragmatismo. Muitos dos que foram calcados recordam agora que negociar é ceder. Mas esquecem que os princípios e a dignidade são inegociáveis, sendo isso que está em jogo. Um modelo de avaliação iníquo, tecnicamente
execrável e humanamente desprezível, que não lhes foi aplicado ao longo de um processo, é agora aceite, em nome do pragmatismo, para não humilhar, uma vez, quem os humilhou anos seguidos.

Sócrates, que se disse animal feroz, vai despindo a pele. Mas não nos esqueçamos da resposta de um dos sete sábios da Grécia, quando interrogado sobre o mais perigoso dos animais ferozes. Respondeu assim: dos bravos, o tirano. Dos mansos, o adulador.

Vão seguir-se meses de negociações sobre o estatuto. O défice, que levou à divisão da carreira e às quotas, agravou-se. Se a desilusão for do tamanho da ilusão, tranquilizem-se porque a Fenprof ficará de fora, como convém, e a Fne poderá assinar um acordo com o Ministério
da Educação, como não seria a primeira vez. Voltaremos então ao princípio. O que é importante continuará à espera. Mas guardaremos boas recordações de duas marchas nunca vistas. Professor do ensino superior
(s.castilho@netcabo.pt)

segunda-feira, novembro 23, 2009

Uma estratégia política absurda

Vale a pena conhecer esta análise feita pelo Octávio Gonçalves no seu blogue

Mas que comentadora!

Desde que a senhora Inês Serra Lopes, na altura a dirigir um semanário, arranjou um sósia para incriminar na vez do senhor Carlos Cruz, logo no início do processo Casa Pia, deixei de a ler. Agora farto-me de a ouvir na rádio comentando tudo, neste tudo incluídos os assuntos dos professores. Ora a senhora insiste em atirar para o ar que, desaparecida a categoria "titulares", todos os professores ficaram efectivos.

De certeza que a senhora sabe muito bem que a distinção titulares/não titulares passava longe dos professores contratados mas interessa-lhe deixar para o público ouvinte esta confusão - fim dos titulares igual a fim dos contratados. Dada a instabilidade nos empregos que tanta gente está a sentir, esta boca serve para manter o "povo" contra os professores, todos aqueles privilegiados com lugares garantidos para sempre.

Ainda bem que não me cruzo fisicamente com ela em lado nenhum mas espantam-me estas linhas editoriais que me fazem ouvir as suas afirmações disparatadas.

quinta-feira, novembro 19, 2009

Beija mão

A Fundação Mário Soares prestou hoje homenagem a Artur Maurício, ex-Presidente do Tribunal Constitucional que faleceu em Abril de 2008.

Lá se viram na tv as altas individualidades do mundo da justiça, com destaque especial para alguns dos que, por força das faces ocultas, ficaram agora nas bocas das gentes - o senhor Procurador Geral da República, o senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, a Procuradora Adjunta Cândida Almeida. E lá se viu o Dr Mário Soares, o padrinho da Fundação que organizou este evento.

Portanto a cerimónia foi muito oportuna. O PGR até diz que no próximo sábado...

Igualmente oportuno o parecer aprovado e num ápice publicado visando impedir o acesso a conteúdos de escutas. shiu, shiu, shiu, shiu, shiu...


quarta-feira, novembro 18, 2009

Para leitura

As escutas podem configurar, no contexto do processo para o qual foram autorizadas, decisivo e insuprível meio de prova

diz hoje no Público Manuel da Costa Andrade, professor de Direito Penal em Coimbra.

Como o link não funciona, transcrevo parágrafos esclarecedores:

[...] 3.A começar, uma escuta, autorizada por um juiz de instrução no respeito dos pressupostos
materiais e procedimentais prescritos na lei, é, em definitivo e para todos os efeitos, uma
escuta válida. Não há no céu — no céu talvez haja! — nem na terra, qualquer possibilidade jurídica de a converter em escuta inválida ou nula. Pode, naturalmente, ser mandada destruir, já que sobra sempre o poder dos factos ou o facto de os poderes poderem avançar à margem da lei ou contra a lei. Mas ela persistirá, irreversível e “irritantemente”, válida! [...]

4.Uma outra e complementar evidência soa assim: as escutas podem configurar, no contexto
do processo para o qual foram autorizadas e levadas a cabo, um decisivo e insuprível
meio de prova. E só por isso é que elas foram tempestivamente autorizadas e realizadas. Mas elas podem também configurar um poderoso e definitivo meio de defesa. Por isso é que, sem prejuízo de algumas situações aqui negligenciáveis, a lei impõe a sua conservação até ao
trânsito em julgado. Nesta precisa medida e neste preciso campo, o domínio sobre as escutas pertence, por inteiro e em exclusivo, ao juiz de instrução do localizado processo de origem. Que, naturalmente, continua a correr os seus termos algures numa qualquer Pasárgada, mais ou menos distante de Lisboa. Um domínio que não é minimamente posto em causa pelas vicissitudes que, em Lisboa, venham a ocorrer ao nível de processos, instaurados ou não, aos titulares da soberania. Não se imagina — horribile dictum — ver as autoridades superiores
da organização judiciária a decretar a destruição de meios de prova que podem ser essenciais para a descoberta da verdade. Pior ainda se a destruição tiver também o efeito perverso
de privar a defesa de decisivos meios de defesa. Por ser assim, uma vez recebidas as certidões ou cópias, falece àquelas superiores autoridades judiciárias, e nomeadamente ao presidente do STJ, legitimidade e competência para questionar a validade de escutas que, a seu tempo, foram validamente concebidas, geradas e dadas à luz. Não podem decretar retrospectivamente a
sua nulidade. O que lhes cabe é tão-só sindicar se elas sustentam ou reforçam a consistência da suspeita de um eventual crime do catálogo imputável a um titular de órgão de soberania. E, nesse sentido e para esse efeito, questionar o seu âmbito de valoração ou utilização legítimas. E agir em conformidade. O que não podem é decretar a nulidade das escutas: porque nem as escutas são nulas, nem eles são taumaturgos. O que, no limite e em defi nitivo, não podem
é tomar decisões (sobre as escutas) que projectem os seus efeitos sobre o processo originário, sediado, por hipótese, em Pasárgada, e sobre o qual não detêm competência. [...]

terça-feira, novembro 17, 2009

O que vai por aí...

Chegaram este ano muitos professores à escola e isso tem permitido que se vá sabendo como foram correndo os processos pelas escolas de onde saíram.

É fácil perceber que o regabofe foi bastante generalizado. É fácil depreender que a única solução para o imbróglio será a cremação simples desta avaliacão. Efeitos nulos para toda aquela treta. Quem mudava de escalão que mude, o tempo de serviço que conte normalmente para todos os que estiveram ao serviço.

Admitir as notações que decorrem desta avaliacão será exponenciar o mal estar já gerado.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Uma questão de honra

Furtei, tal e qual, ao reitor.

"Mark Felt foi um daqueles príncipes que o sólido ensino superior norte-americano produz com saudável regularidade. Tinha uma licenciatura em Direito de Georgetown e chegou a ser uma alta patente da marinha dos Estados Unidos. Com este formidável equipamento académico desempenhou missões complexas no Pentágono e na CIA.
Durante a guerra do Vietname serviu no Conselho Nacional de Segurança de Henry Kissinger. Acabou como Director Adjunto do equivalente americano à nossa Polícia Judiciária. Durante vários anos foi Director Geral interino do FBI. Foi nesse período que Mark Felt se tornou no Garganta Funda. Muito se tem escrito sobre as motivações de um alto funcionário do aparelho judiciário americano na quebra do segredo de justiça no Watergate.
Todo o curriculum de Felt impunha-lhe, instintivamente, a orientação clássica de manter reserva total sobre assuntos do Estado. Hoje é consensual que Mark Felt só pode ter denunciado a traição presidencial de Nixon por uma razão. Para ele, militar e jurista, acabar com o saque da democracia americana era uma questão de honra. Pôr fim a uma presidência corrupta e totalitária era um imperativo constitucional. Felt começou a orientar em segredo os repórteres do Washington Post quando constatou que todo o aparelho de estado americano tinha sido capturado na teia tecida pela Casa Branca de Nixon e que, com as provas a serem destruídas, os assaltos ao multipartidarismo ficariam impunes. A única saída era delegar poder na opinião pública para forçar os vários ramos executivos a cumprir as suas obrigações constitucionais. Estamos a viver em Portugal momentos equiparáveis. Em tudo. Se os mecanismos judiciais ficarem entregues a si próprios, entre pulsões absurdamente garantisticas, infinitas possibilidades dilatórias que se acomodam nos seus meandros e as patéticas lutas de galos, os elementos de prova desaparecem ou são esquecidos. Os delitos ficam impunes e uma classe de prevaricadores calculistas perpetua-se no poder. Face a isto, há quem no sistema judicial esteja consciente destas falhas do Estado e, por uma questão de honra e dever, esteja a fazer chegar à opinião pública elementos concretos e sólidos sobre aquilo que, até aqui, só se sussurrava em surdinas cúmplices. E assim sabe-se o que dizem as escutas e o que dizem as gravações feitas com câmaras ocultas que registam pedidos de subornos colossais. Ficámos a conhecer as estratégias para amordaçar liberdades de informação com dinheiro do Estado. E sabemos tudo isto porque, felizmente, há gente de honra que o dá a conhecer. Por isso, eu confio no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara com quem quer que fosse. Fê-lo porque achou que nelas haveria matéria de importância nacional. E há. Confio no Juiz que autorizou as escutas quando detectou indícios de que entre os contactos de Vara havia faces até aqui ocultas com comportamentos intoleráveis. E, infelizmente o digo, confio, sobretudo, em quem com toda a dignidade democrática e grande risco pessoal, tem tomado a difícil decisão de trazer ao conhecimento público indícios de infâmias que, de outro modo, ficariam impunes. A luta que empreenderam, pela rectificação de um sistema que a corrupção e o medo incapacitaram, é muito perigosa. Desejo-lhes boa sorte.
Nesta fase, travam a batalha fundamental para a sobrevivência da democracia em Portugal. Têm que continuar a lutar. Até que a oposição cumpra o seu dever e faça cair este governo". Mário Crespo, no JN
Um jornalista corajoso e honrado. Uma lição para os portugueses.
Reitor

Para as cigarras


Velha Fábula em Bossa Nova

Minuciosa formiga

não tem que se lhe diga:

leva a sua palhinha

asinha, asinha.


Assim devera eu ser

e não esta cigarra

que se põe a cantar

e me deita a perder.


Assim devera eu ser:

de patinhas no chão,

formiguinha ao trabalho

e ao tostão.


Assim devera eu ser

se não fora

não querer.


(-Obrigado, formiga!

Mas a palha não cabe

onde você sabe...)


E digo eu - obrigada, Alexandre O'Neill



domingo, novembro 15, 2009

Decência

Diz o reitor e eu aplaudo:

Será que não percebes que a única forma de salvarmos todos das injustiças causadas pelo modelo de ADD é que a avaliação que o mesmo pariu não conte para nada! Absolutamente nada!

Falta à gripe

São da área da saúde ou da educação. Das confederações de pais também. Aparecem, pela televisão ou nos jornais, uns com ar indignado outros com ar compungido, a atacar os pais que mandam crianças doentes para as escolas.

Esquecem-se que os pais, abrangidos pelo regime da segurança social, levam imediato corte total dos salários dos três primeiros dias de ausência ao trabalho, seja por doença própria seja por apoio a filhos doentes. Assim, quando os filhos vão para casa engripados, enfiam-lhes uns antipiréticos e uns chás e no dia seguinte ordem de marcha para as aulas. Têm de assobiar para o lado, marcar falta à gripe para que lhes não marquem falta a eles.

Os professores contratados estão agora a perceber e a sentir na pele o "sistema".

Descobri a solução para isto. Autossuspendam-se e terão no final do mês o ordenado por inteiro. Há que aprender com os mais experientes e assim nos ensinam o dr Vara e o BCP.

sábado, novembro 14, 2009

Avaliacão - ponto de situacão

Pelo que vou lendo por aí:

- há escolas que avaliam todos os professores com BOM

- há escolas onde os directores definiram os OIs e não há consequências negativas

- há escolas onde os OIs foram entregues em Agosto de 2009;

- há escolas onde foram entregues em Setembro de 2008

- há escolas onde os OIs foram elaborados colectivamente

- há escolas onde foram elaborados individualmente

- há escolas onde os professores são todos avaliados

-há escolas onde quem não entregou os Ois não é avaliado

- há escolas que aceitaram uma FAA apesar de não existirem OIs

-há escolas que se recusaram a receber as FAA porque não havia OIs

- há escolas que avaliam os professores que não entregaram a FAA, mas que entregaram OIs

- há escolas que não avaliam os professores porque não entregaram OIs e não entregaram a FAA, com os itens do ME;

- há escolas que avaliam professores que não entregaram OIs e entregaram uma FAA que não seguia os itens da FAA do ME.

- há escolas que , por e-mail, mandaram todos os professores dirigirem-se aos serviços administrativos para tomarem conhecimento da sua avaliação, mas nem todos os professores estavam contemplados nessa lista, o que é aborrecido porque se perdeu tempo do precioso intervalo;

- há escolas que aguardam….

- há escolas que avançam


E a senhora dona ministra sorri, sorri, sorri...

Este forrobodó revela que não houve lei mas apenas um conjunto articulado (havia Artº... ) de disparates que desorientou a vida e o trabalho nas escolas, foi fautor de zizânia, desautorizou e humilhou as pessoas. Há um único caminho - incinerar toda esta treta.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Shiu!

Espantosos estes batedores clonados do engenheiro. Agora é um tal Pedro Adão e Silva a dizer barbaridades como contraponto aos legítimos desejos de esclarecimento manifestados por Vilaverde Cabral e Rui Ramos.

Este spin insiste que o problema não é a corrupção, o problema é que haja informação sobre a dita. Que um clã se instale em lugares chave do Estado e das empresas para levar por diante negociatas escuras usando para tal dinheiros públicos, empresas públicas, nada disto incomoda o homem. O que o preocupa é que se saiba, o que o preocupa é que o senhor primeiro-ministro possa ter sido apanhado em telefonemas ao doutor Vara, o que o preocupa é que o cidadão comum possa falar sobre o assunto. shiu, shiu, shiu, shiu, shiu!

O patético homem tenta esconder que não se trata de conversas particulares, são conversas sobre a coisa pública, dinheiro público, concursos públicos, propriedade de orgãos de informação que diretamente mexe com a liberdade de imprensa.

Mudo de canal e lá está agora o António Costa a cumprir o mesmo papel que o tal Adão, embora em tom mais melífluo. Grrrrr

Cronologia de um golpe

Pedro Lomba, jurista, no Público

Acto I.

Estamos a 3 de Outubro de 2004 e José Sócrates é eleito líder do PS. A 9 de Outubro,
Armando Vara regressa à direcção do partido pela mão de Sócrates. A 20 de Fevereiro de
2005, o PS vence as legislativas com maioria absoluta. A 2 de Agosto de 2005, há mudanças
na Caixa Geral de Depósitos: Teixeira dos Santos afasta Vítor Martins e Vara integra o“novo” conselho de administração. A maioria dos membros desse conselho é afecta ao PS.

Avancemos no tempo. Grande plano. No primeiro semestre de 2007, a Caixa financia accionistas hostis ao conselho de administração em funções no BCP. Cresce o peso do banco do Estado no maior banco privado português. Vara e Santos Ferreira são incluídos em lista concorrente nas eleições para o conselho executivo. Os jornais falam no financiamento da
Caixa ao empresário Manuel Fino que apoia Santos Ferreira.

A 15 de Janeiro de 2008, Armando Vara é eleito vicepresidente do BCP. Segundo documento divulgado pelo próprio banco, ficam a seu cargo as competências executivas mais relevantes. Armando Vara coloca-se precisamente no coração dos movimentos de créditos, dívidas,
compras e vendas de acções e activos. No centro do fluxo de todos os interesses e influências.
Chegados aqui, com os actores certos nos papéis certos nas duas maiores instituições de crédito
nacionais (CGD e BCP), tudo se torna possível. O primeiro golpe foi concluído. Começou então o segundo.

Acto 2.

Com as
possibilidades que o controlo do BCP oferece, o recém-chegado grupo Ongoing, que
entretanto adquirira o Diário Económico e já tinha uma posição no grupo Impresa (SIC, Expresso, etc.), é financiado para novas acções. Com o grupo Ongoing: José Eduardo Moniz sai da TVI e controla-se a Media Capital, depois de uma tentativa de aquisição pela PT abortada pelo Presidente e pela oposição. Em Fevereiro de 2009 torna-se possível ajudar o
empresário Manuel Fino a aliviar os problemas financeiros (em parte criados pelo reforço da posição no BCP) junto da CGD prestando uma dação em pagamento com acções suas valorizadas cerca de 25 por cento acima do preço de cotação e com opção de recompra a seu
favor. Torna-se também possível ajudar o “amigo Oliveira” a resolver os problemas
financeiros do seu
grupo de media (Diário de Notícias, TSF, Jornal de Notícias).

Tudo factos do domínio
público que muitos a seu tempo denunciaram. Sócrates respondia com a cassete familiar: “quem tem procurado debilitar os órgãos de supervisão, lançando críticas à sua actuação no BCP, está a fazer ‘política baixa’”. Política baixa, diz ele. Estamos perto do fim desta operação bem montada. Sócrates ganhou de novo as eleições. Mas este encadeamento todo precisava de confirmação. Incrivelmente, nas escutas a Armando Vara no caso Face Oculta, eis que surge a arma do “crime” libertando fumo: “O primeiro-ministro e o ‘vice’ do BCP falaram sobre as dívidas do empresário Joaquim Oliveira, da Global Notícias, bem como sobre
a necessidade de encontrar uma solução para o ‘amigo Joaquim’. Uma das soluções abordadas foi a eventual entrada da Ongoing, do empresário Nuno Vasconcellos, no capital do grupo. Para as autoridades, estas conversas poderiam configurar o crime de tráfico de influências”. (Correio da Manhã, 7 de Novembro). Escutas nulas, disse o Supremo. Os factos, meus amigos, é que não são.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Talvez útil nos dias que correm...

O P. Guinote conduziu-me à Rua do Patrocínio onde há proposta de autoreflexão para professores.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Prós

O dr. Basílio Horta acha que os professores não são pessoas.

Dou de barato que ele seja pessoa embora pessoa esquisita - acha que estas notícias sobre a corrupção são muito prejudiciais para o país. Não é a corrupção em si, em grande escala e ao mais alto nível, que é prejudicial, não. As notícias é que são o diabo.

O sr. ministro Silva Pereira está igual ao sr. Sócrates.

Hora de dormir...

quinta-feira, novembro 05, 2009

Incontáveis piscadelas

Falou, a senhora falou.

No corredor, com sorrisinhos e permanentes piscares de olhos , bagatela, bagatela - o estatuto, a avaliação, as duas faces rrrttt, bla, bla, bla.

O remate foi o único recado - suspender a avaliação iria criar uma agitação ainda maior nas escolas. Não sustenta tal afirmação em argumento nenhum porque não há qualquer argumento que possa usar.

Agitadas, agitadas estão as pálpebras da senhora ao produzir o triste discursito..

segunda-feira, novembro 02, 2009

DRELVT

Li informação dando como certa a saída do diretor regional.

No início de dezembro de 2008, recorri hierarquicamente de decisão tomada na escola e subscrita pelo diretor regional. Entreguei o documento, dirigido à ministra, nas instalações da DRELVT, como me competia.

Não recebendo qualquer notícia, em finais de Junho de 2009, dirigi-me ao ME para tentar obter informação. Aqui, na portaria e com contacto estabelecido pela rececionista com os gabinetes, fiquei a saber que o documento não saíra da DRELVT e recebi o conselho de o ir ali procurar. Logo ali, na portaria, redigi solicitação de audiência, rejeitando o conselho. Anexei cópia do recurso com o comprovativo da entrada na DRELVT que prudentemente levara comigo. Por lá ficou.

Agora que a ministra já não é ministra, os secretários de Estado já não são secretários de Estado (bom, um guardou o título mas mudou de instalações), está bem que o diretor regional também deixe de o ser.

Alguns dos que na escola fizeram a brincadeira também já desandaram. Sobraram alguns no trampolim. E sobrei eu que sou a fã nº 1 da Administração Pública. Hei de organizar um clube de fãs. Acho que conseguirei muitos sócios.