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M. Eugénia Prata Pinheiro

sábado, maio 30, 2009

Lenços negros

O adeus aos anões
Santana Castilho

Escrevo este texto na véspera de mais uma manifestação de professores, com o intuito de partilhar com os colegas algumas reflexões sobre o tema. A economia de meios que o espaço limitado impõe arrasta-me hoje para um estilo telegráfico. Perdoem então a secura:


1. É verdade que muitos entregaram objectivos individuais, no quadro de uma lógica indigna que gritaram antes não aceitar. É verdade que muitos ajudaram a legitimar, com a sua participação, uma ideia de gestão que promove o caciquismo e demove a autonomia. Posso sugerir (coerência à parte, é evidente) que aceitar e vergar não significa concordar?


2. Se o anterior é relevante, não menos relevante são os muitos, porque felizmente são muitos, que não entregaram, não legitimaram, não aceitaram e não vergaram.


3. Tenho reflectido bastante e estudado algo, por razões profissionais e políticas, sobre o processo de tomada de decisão. Quando uma iniciativa de reclamação produz um resultado evidente, visível, ficamos contentes e felicitamo-nos. Quantos resultados bem maiores, porém, ficam sem o nosso regozijo, só porque não são visíveis? Quantas decisões em processo não regressaram ao limbo do esquecimento porque uma manifestação de protesto as enterrou antes de sem paridas? Vale a pena pensar nisto!


4. Entretanto, permitam-me que recorde, em exercício certamente redundante, que boa parte das enormidades previstas caíram (por enquanto) porque os professores se levantaram. O julgamento de uma política, por parte da opinião pública, e o seu consequente esclarecimento, era um, no início, mas é outro, agora. A quem e a que se deve a evolução? Apesar de ser a hora do adeus aos anões, os dinamismos políticos em jogo aconselham a não baixar a guarda.


5. Muitas organizações estão envolvidas numa luta comum, com vivências próprias de emoções diferentes, com estratégias de actuação dispares e com visões divergentes do que se devia fazer. Uma coisa, porém, as deve continuar a unir: a certeza de que as fracturas fortalecem o adversário. De forma assumida ou não, a actuação de cada um acaba exercendo alguma influência emocional nos outros. Lembremo-nos que, muitas vezes, vemos o indicador espetado em direcção ao outro, sem nos darmos conta de ter um polegar virado para nós. O sentido desse conceito tão decantado que dá pelo nome de responsabilidade não se suspende quando a acção é substituída pela omissão. O juiz supremo, nesta matéria, é a nossa consciência. E é sempre mais fácil resolver um sentimento negativo relativo ao que fizemos do que lidar com o remorso que resulta daquilo que não fizemos. Também vale a pena pensar nisto!

6. Numa manifestação, o número de manifestantes é obviamente relevante. Cem mil na primeira e cento e vinte mil na segunda, num universo profissional de cerca de cento e quarenta mil, fizeram história. Está feita. Ninguém a poderá apagar. Quantos serão amanhã? Não sei, mas sei que serão muitos. Os suficientes para defender a honorabilidade de ser professor.


Não esqueçam os lenços negros!

A(pós)P(ostagem). Boa ideia! Já comprei tafetá preto. Dá para cento e poucos adeuses(?). Se mais houver, melhor será.

1 Comments:

Blogger Cristina Ribas said...

Excelente post!

8:40 da tarde  

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