Escola

A minha fotografia
Nome: Setora

M. Eugénia Prata Pinheiro

Domingo, Julho 19, 2009

Defender a liberdade de expressão

Mais um autor de blogue perseguido e punido. Desta vez é na Universidade do Minho com pouco de universal e muito de mesquinho.


Há que assinar a petição em defesa de Daniel Luís e da sua/nossa liberdade de expressão.

Sábado, Julho 18, 2009

Pesadelo

[No gabinete da direção. Caixas de papel arrumadas junto às paredes. Na secretária montes de papéis quase encobrem a figura do senhor diretor. Durante a conversa, diversos diligentes funcionários da secretaria vão amontoando mais e mais caixas de papelada. De quando em quando depositam mais umas resmas sobre a secretária anunciando em surdina - autoavaliações.]


Diretor - Diga lá! Tenho agora cinco minutos para o ouvir.

Prof - Deve ter lido, senhor diretor, no meu relatório adiantava a absoluta necessidade de uma sala ou saleta para o trabalho com os alunos estrangeiros...

Diretor - Não me faça perder o meu precioso tempo. Sabe bem que é impossível.

Prof - Vi que atribuíram outra sala para os diretores de turma. A sala que vaga servia perfeitamente...

Diretor - Está a brincar comigo. Não viu a porta blindada que já está colocada? Não pensa?

Prof - Pois, dispensava a porta blindada, não fazia qualquer falta. O espaço devia ser tão aberto quanto possível para que os alunos, sem grande cerimónia prévia, pudessem frequentá-lo. Dicionários, mapas, um computador...

Diretor - Porta blindada significa segurança, ilustre colaborador. Arquivo, arquivo. Nesse espaço ficarão em segurança todas as grelhas que foram projetadas. Se este ano ainda não tiveram uso, lá virá o momento...

Prof - Bom, então a sala ao lado, de onde vi retirar já os computadores ...

Diretor - Mas não viu a porta blindada já preparada para ser instalada? Não percebe que é o espaço adequado para arquivar os portefólios? Arquivo, arquivo é do que preciso...

Prof - Aquele aproveitamento envidraçado junto à escada serviria bem...

Diretor - Ilustre colaborador, e as grelhas finais, as autoavaliações? São resmas e resmas a requerer absoluta segurança.

Prof - Mas as vidraças para a papelada, hummm... Seria até bom ver os alunos lá dentro daquele espaço, uma espécie de aquário com gente dentro. Muitos deles são bastante interessados, trabalham, têm dúvidas, de certeza que o frequentariam com regularidade, muito para lá dos tempos de aula de português língua não materna...

Diretor - Que ideias tolas, ilustre colaborador! Quais vidraças! As vidraças vão sair. Tijolo e blindagem total. Acesso apenas pela secretaria. Mais uma porta com segredo. Segurança, segurança é o que me faz falta.

Prof - E as aulas de PLNM, o trabalho com esses alunos? São tantos cá na escola!

Diretor - Ilustre colaborador, as suas preocupações devem coincidir com as minhas. Preocupe-se com os papéis. Deixe os alunos em paz. Os papéis, os papéis...

O prof estava já em bicos de pés para conseguir ver os olhos e o cimo lustroso da careca do senhor diretor. A mão do senhor diretor que surgiu por trás da papelada acumulada na secretária, acompanhando num estreito volteio a sua última fala, obrigou o prof a olhar em volta. Estava cercado, muralhado por caixotes... O senhor diretor cantarolava arquivo, arquivo meu, meu belo arquivo, arquivo imenso... O prof desfaleceu...

e eu acordei, irra.

Sexta-feira, Julho 17, 2009

Realidade virtual

A senhora ministra constrói esta realidade virtual - os estudos sobre a avaliação aplaudem o modelo em curso.

Fui furtar ao reitor uma pequena síntese das críticas que os ditos estudos apontam:

Objectivos de melhoria impossíveis de alcançar por causa do próprio modelo de avaliação do Governo.

Progressão na carreira: Avaliadores Externos e não Internos como prescreve o modelo do Governo.

Não pode haver avaliação ao nível da escola com consequências a nível nacional, como está previsto no modelo de avaliação do Governo, especialmente no simplificado.

A avaliação dos professores tem de estar ligada à avaliação externa das escolas como não prevê o modelo de avaliação do Governo.

Tudo isto tinha já sido dito por muitos mas nunca será ouvido/compreendido pela equipa ministerial. Preferem o real virtual. Então treslêem.

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Avaliacão, pois então!

Ouvi na rádio declarações gagas de um senhor secretário do estado da educacão.

Admitia os recentes reparos feitos pela OCDE e por outros conselheiros ao processo de avaliacão, reparos que muita gente até aqui já tinha feito sem qualquer eco, mas considerava que seriam precisos alguns anos para produzir as sugeridas correções.

Constatado isto, o senhor declarava que, à falta desses anos, o processo seguirá como está de vento em popa.

Lá terão condigno enterro no outono.

Domingo, Julho 12, 2009

Ando cá a pensar...

Ando cá a pensar...

Se há agora diretores (por concurso, com programa, e eleição no conselho), se estes nomearam os seus sub e adjuntos e assessores, se designaram os coordenadores, se fizeram a equipa dirigente...

Ora então é a esta ilustre equipa que compete formular o projeto educativo, o regulamento interno, o regimento dos diversos órgãos e outra documentação central que considerem útil.

Nós outros que estamos fora da equipa não devemos colaborar na confeção destes documentos, não nos compete. Devemos ocupar-nos com a preparação das aulas e materiais - os testes para diagnóstico, a ficha para trabalhar este ou aquele assunto, a seleção bibliográfica para esta ou aquela pesquisa, o guião para este ou aquele trabalho na net ... - a usar com os alunos no próximo ano, com a organização das "nossas coisas". Podemos propor esta ou aquela atividade - uma visita de estudo aqui ou ali, uma ida ao teatro, uma sessão de debate a envolver estes ou aqueles alunos, mas ficam por aqui as nossas competências.

Vem esta reflexão a propósito dos trabalhos que vejo estarem a ser distribuídos a professores para este período não letivo.

Divagação - Mais uma vez não consigo ter acesso às provas de aferição que os meus alunos do 6º ano realizaram. Este ano fiz requerimento formal com entrada pela secretaria mas até agora nada. E nem me explicam por que não. Mais uma vez seguirão para o arquivo morto sem me passarem pelas mãos. E esta turma que era a turma dos excertos que aqui publiquei em setembro de 2007! Gostava de ver como reagiram na prova, lá isso gostava, lá isso teria alguma utilidade para mim... e, julgo, para os próximos alunos.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Concursos -propostas de permuta

Aqui está uma ligação para o útil serviço que o blogue do MUP está a cumprir.

Quarta-feira, Julho 08, 2009

A caixa negra do PS e a educação

08.07.2009, Santana Castilho, Professor do ensino superior.

[...]

No que à Educação respeita, a próxima legislatura tem uma tarefa: apanhar os cacos e trazer paz às escolas e aos professores. Para isso tem, entre outras, oito acções incontornáveis, a saber:

a) Assumir, finalmente, a autonomia das escolas. O paradigma tradicional de gestão do sistema está esgotado. O poder tem de confiar nos professores e entregar-lhes a responsabilidade efectiva de gestão das suas escolas. Como corolário óbvio, devem ser extintas as direcções regionais de Educação e proceder-se à adequação consequente da estrutura orgânica do Ministério da Educação. As valências centrais devem limitar-se à definição das políticas de natureza nacional, à supervisão, ao controlo da qualidade e aos instrumentos de avaliação e relativização dos resultados. Deste enunciado genérico emana a imperiosa necessidade de despolitizar todos os serviços técnicos. Há que ganhar uma estabilidade de funções, que persista para lá das mudanças dos políticos, protegendo a administração superior da volatilidade política.

b) Conceber um verdadeiro estatuto de carreira docente, em que os professores portugueses se revejam, que seja instrumento de desburocratização da profissão, fixador de claro referencial deontológico, gerador de estabilidade profissional e indutor de uma verdadeira autonomia responsável, de natureza pedagógica, didáctica e científica. Naturalmente que o fim da divisão da carreira em duas é obrigatório. Naturalmente que a adequação das necessidades das escolas à dimensão dos quadros é desejável.

c) Definir um modelo de avaliação do desempenho útil à gestão do desempenho, isto é, que identifique obstáculos ao sucesso e se oriente para os solucionar, que tenha muito mais peso formativo que classificador. Que se preocupe mais com a apropriação, por parte dos professores, dos valores que intrinsecamente geram sucesso e melhoram o desempenho, que com os instrumentos que extrinsecamente o pretendam promover. Que reflicta a evidência da complexidade do acto educativo, que não pode ser alvo dos mesmos instrumentos que se aplicam à medição de bens tangíveis. Que assente no reconhecimento de que a actividade docente tem uma natureza eminentemente colaborativa e dispensa instrumentos geradores de competição malsã. Que seja exequível e proporcional à sua importância no cotejo com outras vertentes da profissão.

d) Alterar o modelo de gestão das escolas, compatibilizando-o com o novo paradigma de autonomia, devolvendo-lhe a democraticidade perdida, adequando a natureza dos órgãos às realidades sociais existentes e abandonando a lógica concentradora do poder num só órgão.
e) Alterar o estatuto do aluno, orientando-o como instrumento promotor de disciplina e gerador de responsabilidade, rigor e trabalho. Deve ser abandonada a promoção estatística do sucesso e retomada a seriedade dos instrumentos de certificação dos resultados.

f) Redefinir globalmente os planos de estudo e os programas disciplinares, articulando-os vertical e horizontalmente. Cabe aqui a aceitação de que há limites institucionais e pessoais, uma hierarquização de importância das diferentes disciplinas, em função de faixas etárias, ciclos de estudo e orientação vocacional, e um papel nuclear de outras, que se deve reflectir na composição dos curricula.

g) Reorganizar as actividades de resposta a necessidades educativas especiais, com expresso abandono de utilização, em contexto pedagógico, da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) e retorno dos professores especializados ao trabalho exclusivo com crianças portadoras de necessidades especiais.

h) Devolver aos professores espaço e tempo para reflexão sobre a prática profissional e autoformação e promover o debate sobre conceitos educacionais não suficientemente apreendidos pela sociedade. Com efeito, a insuficiente tentativa de obter consensos possíveis sobre esses temas e o fomento de climas de quase ódio entre correntes doutrinárias opostas e ideologias políticas diversas têm impedido que as decisões perdurem para além dos tempos políticos e mudem em função do livre arbítrio de sucessivos governos e ministros.


Segunda-feira, Julho 06, 2009

Concurso 2009 ...


Estimados e ilustres colaboradores, para Setembro talvez precisemos da colaboração de alguns mais. Por essa altura colocaremos. Aproveitamos para avisar que, no café ali da esquina, um letreiro afixado na montra informa da necessidade de colaborador/a. Quem avisa, amigo é.

Titulares de quê?

Não sei se é para rir ou para chorar.

Numa escola deste singular país, um xôr diretor (ex pce) dirige-se aos professores titulares (de quê) tratando-os por ilustres professores e dirige-se aos outros professores tratando-os por ilustres colaboradores.

Iremos conseguir desarticular esta m****?

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Estranhas estimações!

Estando por fora da indústria da bola espantou-me hoje a eleição benfiquista. Vai o homem para o terceiro mandato eleito com mais de 90% dos votos. Perguntas que se impõem - o Benfica tem ganho, as contas do clube são boas, o presidente merece confiança? Pelas histórias que ouço acerca do senhor nem um café gostaria de tomar ao seu lado. Também andaram a votar no Vale e Azevedo que, suspeito, até será um anjinho ao pé deste senhor Vieira.

Serão os benfiquistas masoquistas? Não quero acreditar que tantos se identifiquem com este senhor presidente.

Serviu esta história para aprender uma palavra nova numa crónica que li sobre o megassunto das eleições benfiquistas - tranquibérnia. Tive de ir consultar o dicionário. Significa confusão, misturada, desordem//negócio de má fé, falcatrua, fraude, trapaça, burla. Também pode dizer-se traquibérnia. Prefiro esta forma com sonoridade mais adequada ao significado.

Ai, ai, ai, que me desculpe este texto o meu filho mais velho, felizmente apenas simpatizante deste glorioso.

Directores, pais, autarquias... dec-lei 75/2008

Grande preocupação pelos blogues dos profes. A doutora Manuela Ferreira Leite, candidata a primeiro-ministro, não se manifestou acerca do decreto da novíssima gestão.

Eu vou perguntando aos meus botões:

- os velhos conselhos executivos eram impolutos, puros, virtuosos, imaculados?

- os velhos conselhos executivos usavam de total democraticidade para tomada de decisões?

- não havia nepotismo nos velhos conselhos executivos?

- os velhos conselhos executivos nunca funcionavam com discricionariedade?

- não se organizavam cliques e claques à volta dos conselhos executivos resultando daí favores?

- para tomada de medidas obscuras não se abrigavam nas sombras do ME e das DRE?

E tantas, tantas outras perguntinhas de semelhante teor. Este faz de conta que é democrático nunca me convenceu.

Ah, agora vão ser as autarquias e mais os pais, e tal e porque torna e porque deixa... Quero lá saber. Até pode ter como resultado abanar as pessoas. Até agora, no meu departamento, só eu fazia aquelas perguntas mais incómodas. Ontem já não fui eu que falei na falta de uma "filosofia de escola", na falta de definição de critérios para uso nos conselhos de turma, falta geradora de arbitrariedades gritantes, nos constrangimentos decorrentes de maus horários para as turmas... Ontem ouvi muitas vozes.

Não havia já assembleias de escola com representantes das autarquias e dos pais/ee? Na verdade para ali estavam de corpo presente dizendo amen, amen. Quando a imaculada assembleia da minha escola me pôs um processo disciplinar para conduzir ao arquivamento de um recurso hierárquico que interpusera indignada com os maus tratos infligidos a uma das minhas turmas com manifesto abuso de poder, todos os presentes (professores eleitos pelos professores, funcionários eleitos pelos funcionários, representantes da autarquia, representantes dos pais) levantaram os bracinhos para apoiar o poderzeco.

Havia agrupamentos/escolas em que tudo funcionava bem? Dou de barato que houvesse mas a experiência na maioria das escolas onde trabalhei leva-me a dizer tanto me faz.

Confesso que nem li o decreto, que tenho tido coisas mais interessantes para ler, mas na minha escola a senhora que fazia de presidente do CE faz agora de diretora, a vice passou a sub, os vogais passaram a adjuntos - espero não estar a enganar-me na terminologia decretada. O conselho de escola já transitou para definitivo.

Não tive nadinha a ver com nada disto e mais Bobi menos Bobi, mais Tareco menos Tareco não me ocupa nem preocupa.

Lá que gostava que os candidatos a primeiro ministro declarassem que iam acabar com os titulares de quê, acabar com a avaliacão/farsa, acabar com a burocrática ocupação dos professores deixando-lhes tempo para se ocuparem das aprendizagens dos alunos, rever estatutos anulando as medidas de robotização e achincalhamento das pessoas lá isso gostava...

Justificar completamente

Respeito

Em casa escrevia relatórios e atas tendo como cenário e som de fundo o debate sobre o estado da nação na Assembleia. Que não estava em muito bom estado pude ir concluindo. Esgrimiam-se mais ou menos subretícios (estará assim no acordo ortográfico?) insultos, afirmavam-se mentiras mais modernamente chamadas inverdades, faziam-se acusações apoiadas em argumentos falaciosos. Nada de discutir com rigor e seriedade a substância das coisas. Todos mantinham pose de pessoas importantes dizendo coisas importantes num lugar importante.

O papel dos ministros nesta cerimónia é confrangedor. Ali estão sentadinhos no balcão que lhes cabe, ouvindo mudos e quedos as patacoadas quer do seu primeiro quer dos primeiros da plateia. Ali estão no papel de acólitos de um senhor que tem a boca (e a barriga) cheia de EU. Figurantes de baixa categoria, menos interactivos que os que assistem aos programas de um qualquer Goucha. Se já por aqui disse que nenhum daqueles senhores aguentaria uma semana a dar aulas na minha escola, suspeito que eu não aguentaria três horas daquela palhaçada. E acho que até têm coisas penduradas para fazer, pelo menos no que toca à senhora que faz de ministro da educação.

Às tantas o senhor que fazia de ministro da economia descompôs a figura. Fez de si touro pronto para investida. A câmara de tv mostrou o gesto que compunha a transfiguração. Ao que parece respondia a provocação lateral de um deputado. As bocas alheias e próprias não se ouviram. E é no que dá haver câmaras de tv. É como com os telemóveis que filmam os incidentes das aulas. Se não houvesse filme, não havia incidente. Se não houvesse câmara de tv o homem/touro passaria despercebido. Assim caíu o Carmo e a Trindade.

Considera-se que tudo estava a ser da maior correção e respeito e que só a figuraça do ministro da economia abandalhou. Conceções de cortesia que não partilho. Ouvi na rádio um comentador afirmar que tal gesto tinha sido gravemente desrespeitoso para as mulheres. Esta agora! Distinção de género que não entendo. Devo estar a precisar de formação em linguagem gestual. Se a investid[ur]a fosse contra uma Ana Drago, ainda faria algum sentido, o macho latino, bla, bla, bla! Mas o visado era o Bernardino Soares! Bom, adiante, o respeitador Sócrates atirou abaixo o ministro que, confesso, tinha trazido um pouco de frescura à redação da minha ata. Aquilo tudo era tão mauzinho... e um homem que declara terminada a crise faz falta em qualquer governo.

Apesar de terem andado a instalar na Assembleia barreiras químicas contra os xilófagos, preciosidade que já aqui registara (Valha-me outra vez o La Tourette - 24/10/2008), o caruncho anda mesmo a roer-lhes as cabeças.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Tantos manifestos...

Já por aí estão três manifestos sobre "o investimento" em tempos de crise.

Agradou-me este "quarto manifesto" que José Manuel Fernandes escreve no editorial do Público:

[...]

Primeiro que tudo: que critérios devem presidir ao investimento público num tempo de crise económica, elevados índices de desemprego e crescimento exponencial da dívida externa e, também, da dívida pública? Sugerimos quatro, mas há outros possíveis:

a) Os investimentos devem procurar resolver problemas existentes, por vezes microbloqueios que tornam tão difícil a vida dos cidadãos e das empresas em Portugal, em vez de olharem para problemas futuros, sempre eventuais, e criando dívidas, essas, sim, bem reais;

b) Entre um investimento que cria muita mão-de-obra, mesmo que não muito qualificada, e um investimento capital-intensivo, deve-se escolher o primeiro;

c) Os investimentos devem ser preferencialmente locais e seguir, no processo de decisão, o princípio da subsidiariedade. O Governo deve ficar o mais longe possível das decisões de investimento, que devem antes do mais caber à iniciativa privada e implicar uma co-responsabilização, assim como uma partilha de riscos quando houver dinheiros públicos envolvidos.

d) O factor inovação é essencial, mas não é o Governo que diz o que é inovador ou é antiquado: a este só deve competir ajudar os portugueses a arriscar mais.

Olhando para o país e para o papel do Estado com estas lentes, de imediato surgem inúmeras ideias sobre onde o investimento público pode ser aplicado sem sobrecarregar as gerações futuras, com efeitos na qualidade de vida e tornando o país mais atractivo para o investimento estrangeiro. Algumas sugestões:

- investir a sério na reabilitação dos espaços públicos, desde as casas que estão a cair (pertencendo muitas delas ao Estado) às pequenas estradas esburacadas, desde a requalificação das cidades à recuperação dos monumentos. São trabalhos que empregam muita gente, da construção civil aos gabinetes de projecto, são trabalhos que, bem feitos, implicarão inovar, pois passaram pelos investimentos em novas infra-estruturas de todo o tipo;

- investir na conservação de energia, algo tanto ou mais importante como produzir energia "verde". Isto passa tanto pela poupança de energia nos espaços públicos como, por exemplo, por apoios a um melhor isolamento das habitações ou edifícios de escritório, o que passa por utilizar novos materiais na sua recuperação ou por apoiar a substituição das janelas de vidro simples por janelas de vidro duplo, o que só por si criaria oportunidades industriais.

- pensar menos em "planos quinquenais" de investimento em energias renováveis ou carros eléctricos, operações de comando central, mas estimular os consumidores a também eles produzirem ou armazenarem energia de forma mais eficiente, o que talvez diminuísse o poder da EDP mas nos permitiria ter uma rede de distribuição de energia bidireccional e inteligente. Ou seja, levar o conceito da interactividade da Net ao sector energético, uma das apostas fortes da administração Obama.

Poderíamos continuar, mas é preferível deixar um alerta: estes milhares de micro e pequenas obras, de micro e pequenos investimentos não são apreciados nem pelos Governos nem pelos gigantes dos diferentes sectores. Os Governos porque controlarão menos e farão menos inaugurações. Os gigantes dos sectores porque perderão quotas de marcado para os que hoje não têm o privilégio de se sentar à mesa do Orçamento mas são empreendedores, trabalhadores, sabem inovar e, aqui talvez necessitando de alguma ajuda, são capazes de arriscar. Por isso é que até há muitos programas que poderiam responder a estas necessidades mas não funcionam porque morrem nas mãos de burocratas ou fenecem sob pilhas de outros processos. Quanto mais não seja porque se se aprecia o gosto por controlar tudo em São Bento (agora como no passado), a nossa administração está cheia ora de tiranetes, ora de gente em busca de prebendas, ora simplesmente de incompetentes e de gente sem sensibilidade moral ou cultural.

Para vencer a crise, este exército de empatas também teria de ser tirado do caminho.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

De Secretário de Estado da Justiça a porta-voz do PS

O secretário de Estado da Justiça, João Tiago Silveira, passou a ser oficialmente o porta-voz do PS.

Fica mais claro assim. Ainda há pouco tempo, por Abril, foi este senhor que veio à praça pública atacar a bastonária da Ordem dos Notários por esta ter cumprido a lei ao tornar públicas escrituras - com apelido "públicas" - de compras de casinhas. No texto Abafadores, Aloquetes...Estaline parte III, de 21 de Abril, estranhei as declarações deste secretário da Justiça.

Afinal era secretário de Estado da Justiça e era pré-porta-voz do PS. Não explicam, a gente não sabe e é levada a cometer estes erros de análise. Agora está explicado!

Sábado, Junho 27, 2009

Calendarização do próximo ano lectivo

Furtei ao Ramiro Marques este calendário.

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Gostava de...

Pois gostava de estar a passear-me pelas ruas do Porto, alho porro numa mão, cidreira na outra. Aromas sábios que arredam espíritos maléficos - dos virus da gripe às pagelas da bufaria.

Ouvi que o metro vai funcionar toda a noite. Belo serviço público. Por cá, no santo da capital, acabou às duas da manhã, consonante com o marchismo. Folia curta.

Ó patego, olha o balom!

Bib'ó Puarto!


Domingo, Junho 21, 2009

António Guerreiro ao pé da letra, no "Expresso"

A morte do examinador é a contradição perfomativa.

O que chama a atenção na prova escrita de Português do 12º ano não é o enunciado mas os preliminares: dezena e meia de indicações, prescrições, prevenções, proibições. Com um zelo burocrático total, os examinadores não deixam nada ao acaso, não ousam permitir aos alunos uma margem mínima para estes exercerem voluntariamente e sem tutelas as normas básicas do bom senso (por exemplo, que a resposta a um determinado item deve ser identificada com o número ou a letra desse item). Hoje tutelados, amanhã delapidados - eis o destino de uma geração. E porque nada pode ser deixado à mercê de decisões e interpretações pessoais, os examinadores chegam ao ponto de avisar na pag. 7: "Página em branco". Mas aqui incorrem numa contradição que não admitiriam aos alunos: a chamada 'contradição performativa,' que consiste em dizer algo que é imediatamente desmentido por aquilo que se faz: nenhuma página pode ser em branco se nela está escrito "Página em branco". E se os alunos, perante tão enigmática "Página em branco", mandassem os examinadores para onde eles merecem - para Aristóteles e Karl-Otto Apel?

Coisas que vou sabendo

Alguns pais/encarregados de educação de agrupamentos de escolas distantes escrevem-me mails muitas vezes contando os seus desalentos. Algumas direções de agrupamentos têm dificuldade no relacionamento com pais/ees que até querem fazer coisas para a escola.

Agora era o arraial de final de ano, actividade que constava do plano inicial. Face à ausência de informação estes pais avançaram com a sua proposta de organizar um quiosque com atividades e materiais diversos ligados à alimentação. Com peripécias várias pelo caminho conseguiram montar a tenda dedicada às crianças, pais e avós. Os assuntos iam do evitar a contaminação dos alimentos à limpeza da cozinha passando pela análise de rótulos, arrumação do frigorífico, a obesidade e o comer bem, tudo com jogos de pintar, completar, CD.Rom com jogo interativo. Havia cartazes - a nova roda dos alimentos, a saúde oral nas diversas idades. Havia maçãs e pêssegos.

Intrigados ficaram quando as crianças que por ali circulavam lhes perguntavam tratando-os por professores (adultos estando ali com tenda armada só podiam ser professores) o preço de tudo o que ali tinham - livros, maçãs... ou das atividades que ali podiam desenvolver - os jogos, os desenhos... Perceberam então que aquele arraial apenas fornecia instrução para o mercado. Os meninos deviam comprar tudo. O copo de sumo, a pintura da cara, tudo a troco das senhas compradas.

Ficaram desenquadrados - tinham jogos educativos, tinham fruta, tinham conversa e informação e tudo gratuito. Mas não devem ficar desapontados. Talvez todo este trabalho, que em isolamento construíram, venha a enriquecer umas quantas grelhas de avaliacão.


Quinta-feira, Junho 18, 2009

Aferição

Fui ver os dados globais e comparados com os de 2008 das provas de aferição. Não têm nada a ver com os resultados da minha escola. Hoje só tive tempo para retirar os da minha turma de sexto ano, língua portuguesa - 40% de negativas. Bem piores que os da turma de 2008. Passei os olhos pelas outras pautas e a coisa pareceu-me feia.

Agora é só desabafo com alguma raiva à mistura. É preciso uma análise mais fina. Espero este ano poder ter acesso às provas!

As provas que corrigi de um concelho distante do da minha escola também não eram famosas. Ignoro que classificação lhes terá sido atribuída que assim funciona o sistema. Mas lamento não ter dados para o compreender.


Engraçadinhos

Em 6 de Fevereiro de 2008 peguei na ficha de autoavaliacão que o ME dera à luz e aqui publiquei um Autogrelhamento.

De há uns tempos para cá, recebo quase todos os dias por mail uma adaptação/adulteração do dito texto com proposta de copy past. Pois copiem mas claro que gosto bem mais do original.

Agora agradecia que deixassem de me enviar o dito mail. Irrita-me um bocado.

Mais me irrita que chegue agora à mistura com os mails de regozijo pela chegada da neta. Auto-avalio-me agora como avó - excelente porque esta "titularidade" é excelente.

Terça-feira, Junho 16, 2009

Vida nova

Nasceu a minha primeira neta.

É bom, muito bom. Que venham mais!

Domingo, Junho 14, 2009

Sempre há cada uma...

A televisão tem esta coisa boa - desliga-se.

Que personagem - pré-reformem-na já.

Outras contas

Mais um texto furtado ao Reitor que, do seu elevado cargo, diz muito bem e a cores.


Nacionalização do BPN dava para alimentar 230,5 milhões de Etíopes. Ou praticamente todos os esfomeados de África

CGD injectou mais de 2,5 mil milhões de euros no BPN desde a nacionalização

Anda muito boa gente aflita com o valor da transferência do Ronaldo para o Real Madrid. Até o Programa Alimentar Mundial, vejam bem. Dizem eles que os 93 milhões que custou a transferência dava para alimentar 8,6 milhões de "bocas" esfomeadas na Etiópia...
Pois bem, proponho aos gestores do PAM que ponham os olhinhos no nosso socretino Governo e vejam este escândalo: "Buraco do BPN é 5 vezes maior que o do caso Madoff".

2.500.000.000 euros foi quanto os portugueses já pagaram, através do seu Governo SOCIALISTA, para cobrir os desmandos dos capitalistas.

Trata-se de uma quantia 26,8 vezes maior do que aquela que o Real pagou pelo Ronaldo. Dava para alimentar 230,5 milhões de bocas em todo o mundo. Desavergonhados.

Mourinho foi o que falou melhor: O Real está satisfeito, o Manchester está satisfeito, o Ronaldo também está satisfeito. Eu também estou.

Já quanto aos custos da nacionalização do BPN, a minha satisfação é esta: bandoleiros, perdulários, ladrões, saqueadores...
Reitor

Regabofe

Do Público de hoje, excerto de notícia de José Augusto Moreira

Ministério da Educação manda dar posse a director de escola cuja eleição foi suspensa pelo tribunal

Aumentam as denúncias sobre a intromissão dos poderes autárquicos na eleição dos novos directores escolares. Celorico de Basto é o caso mais recente

O Ministério da Educação deu ordens para que seja empossado o director de um agrupamento escolar cuja eleição está judicialmente suspensa por efeito de uma providência cautelar. À suspensão judicial junta-se também uma reclamação para a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) que não foi ainda analisada, mas os responsáveis pelo ministério entendem que a situação "é gravemente prejudicial para o interesse público" e, como tal, o novo director deve ser já empossado.

Este será o primeiro caso a chegar aos tribunais, mas as denúncias sobre a intromissão dos poderes autárquicos no processo de eleição dos novos directores escolares fazem prever que venham a multiplicar-se os processos de contestação. [...]

Ainda a procissão vai no adro...

Sábado, Junho 13, 2009

Professores de Portugal, Uni-vos!


"Esta é a declaração de uma intenção tomada em consciência e coerência com as atitudes e posições por nós assumidas num passado recente. Não é um apelo a um qualquer movimento de desobediência civil, nem o seu contrário, assim como também não é uma recusa em nos submetermos à avaliação da qualidade do nosso desempenho enquanto docentes.
É apenas a manifestação pública da impossibilidade, de acordo com princípios de coerência e responsabilidade de que nos orgulhamos, de aceitarmos seguir as directrizes de um modelo de avaliação do nosso desempenho que de forma alguma cumpre os objectivos afirmados pela tutela, em particular no regime simplificado em vigor, de constitucionalidade duvidosa e escassa qualidade técnica.
Em conformidade com posições adoptadas por todos nós em momentos anteriores, os subscritores desta declaração afirmam a sua indisponibilidade para entregar a ficha de auto-avaliação nos moldes predeterminados pelo Ministério da Educação.
Esta posição implica rejeitar a transformação do biénio 2007-09 numa pseudo-avaliação com base em objectivos definidos entre três a cinco meses do final das actividades lectivas deste período. Esta atitude significa a recusa frontal em participar de forma activa numa mistificação pública cujo objectivo é fazer passar por verdadeira uma avaliação falseada do mérito profissional dos docentes, mistificação esta que sabemos ter objectivos meramente eleitoralistas mas que terá consequências profundamente negativas para a qualidade da educação em Portugal.
Estamos conscientes das potenciais consequências da nossa tomada de posição, nomeadamente quanto à ameaça da não progressão na carreira por um período de dois anos lectivos, assim como de um eventual procedimento disciplinar que todos contestaremos em seu devido tempo. Esta é uma atitude cujas implicações apenas recaem sobre nós, estando todos preparados para continuar a lutar pela demonstração da ilegalidade do regime da chamada avaliação simplex.
Estamos ainda conscientes de algumas críticas que nos serão dirigidas de diversos quadrantes. Todas elas serão bem-vindas, venham de onde vierem, desde que se baseiem em argumentos e não em meras qualificações destituídas de conteúdo.
Aos que nos queiram apontar que não compete a cada cidadão definir a forma de cumprimento das leis que se lhe aplicam, poderíamos evocar o artigo 21º da Constituição da República Portuguesa, mas bastará sublinhar o que acima ficou explicitado sobre a forma como encaramos as consequências dos nossos actos. A todos os que considerarem que esta é uma radicalização excessiva do nosso conflito com o Ministério da Educação reafirmamos que o fazemos em consciência e coerência com os nossos princípios éticos, sem calculismos ou outros oportunismos de circunstância.
Por último, salientamos que esta declaração não é um apelo a qualquer tomada de posição semelhante por ninguém, mas tão-só a afirmação da nossa. Não podemos, porém, deixar de constatar que a força de qualquer atitude é tão mais poderosa quanto consciente e esclarecida a convicção de quem a toma.
Ana Mendes da Silva (Esc. Sec. da Amadora), Armanda Sousa, (Esc. Sec./3 de Felgueiras) Fátima Freitas (Esc. Sec. António Sérgio, Porto), Helena Bastos (EB 2/3 Pintor Almada Negreiros, Lisboa), Maria José Simas (Esc. Sec. D. João II, Setúbal), Mário Machaqueiro (Esc. Secundária de Caneças), Maurício de Brito (Esc. Sec. Ponte de Lima), Paulo Guinote (EB 2/3 Mouzinho da Silveira, B. Banheira) Paulo Prudêncio (EBI Santo Onofre, Caldas da Rainha), Pedro Castro (Esc. Sec. Maia), Ricardo Silva (EB 2/3 D. Carlos I, Sintra), Rosa Medina de Sousa (Esc. Sec. José Saramago, Mafra) e Teodoro Manuel (Esc. Sec. Moita).

Público, 13 de Junho de 2009

Subscrevo esta corajosa tomada de posição.
Corajosa porque dá o peito às balas. O peito dos seus subscritores e de mais ninguém.
Corajosa porque é um exemplo e um desafio para milhares de outros professores saltarem das trincheiras e avançaram contra um inimigo velho, moribundo e há muito ferido de morte. Um inimigo que só precisa de um sopro para cair redondo.
Os subscritores declaram que a sua posição "não é um apelo a qualquer tomada de posição semelhante por ninguém...". Ok. Compreendo-os e respeito-os.
Mas não os deixo ficar sozinhos...

Por isso mesmo, faço daqui um apelo a todos os professores do país: uni-vos!
Voltai a fazer aquelas reuniões gerais em que aprovaram as moções e aprovem novas tomadas de posição públicas sobre a vossa indisponibilidade para participar no embuste nacional que vai ser a avaliação dos professores. Não entreguem a ficha de auto-avaliação.
Não tenham medo.
Não se ponham com cautelas execessivas.
Mudem o mundo! Levantem-se das trincheiras!

Não se ponham com rodeios. Tomem posições simples: meia página A4.
Aqui vai um exemplo:


Exmo. Sr. Director da Escola Em Que Trabalhamos
Os signatários, professores do quadro da escola que dirige, todos maiores e senhores do seu destino vêm declarar, solenemente, junto de V. Exa. o seguinte:
1 - Recusam-se a participar no actual processo de avaliação de desempenho do pessoal docente uma vez que o consideram uma mistificação pública e um embuste nacional que afectará negativamente e por longos anos a Educação e a Escola Pública.
2 - Em consequência, recusam entregar a ficha de auto-avaliação nos moldes predeterminados pelo Ministério da Educação.
Um Concelho de Portugal, --- Junho de 2009
Nome e assinatura


Não se deixem levar pelos gemidos de algumas pitonisas que defendem a entrega de uma ficha de auto-avaliação própria ou que se junte à de modelo oficial um protestozinho.
Só por estultícia ou, pior, para fazer dos portugueses parvos, é que se pode defender que algum Director aceitará uma ficha que não a de modelo oficial. E se lhe juntarem o protestozinho-descarga-de-consciência, quem o vai ler? Para que serve? Será uma espécie de traque cujo som esperado resultou em esguicho inadvertido.
Como o Guinote disse ontem num bonito poste, é tudo uma questão de tintins. Não de tamanho, mas de os ter ou não ter. Antes de continuar a conversa, faço daqui uma vénia às senhoras professoras e outras senhoras que, não os tendo felizmente, os tintins, claro, têm sangue a correr-lhes nas veias, fibra suficiente para caminharem pelos próprios pés e ossos lá, naquele sítio, onde muitos têm apenas cartilagem.


Corram com eles.
Reitor

Furtei do blogue do Reitor. Diz muito bem. Espero que muitos o sigam.

Eu não posso subscrever nada porque estou desde início fora da avaliacão. Textos por aqui dispersos contêm o que fui pensando de toda esta desastrosa farsa. Daí decorre que não me passaria pela cabeça autogrelhar-me, ir ao padre confessar as minhas falhas e virtudes. Se o padre quiser avaliar-me pois que leia atas, relatórios, sumários, registo de faltas... o que lhe aprouver e que lhe faça bom proveito.

A avaliação que me interessa é a que faço diariamente do trabalho que vou desenvolvendo de modo a que o possa ir ajustando.
Avaliacão, não.



Santos populares

Marchismos odeio, mas gosto da folia nas cidades, das pessoas à solta.

Lá fui ontem para a rua. Uns cunhados estreantes obrigaram a descida da avenida. Miraram as marchas e depressa admitiram não querer ser figurantes daquela seca organizada. E seguimos para pátios mais animados. Pelo meio da multidão de jovens descobri os filhos e muitos dos seus amigos. E a filha, em final de gestação, dançava "por receita médica". O último metro permitiu um regresso fácil. Saudei e agradeci ao funcionário que acompanhava a saída para fechar a estação. Olhou-me com algum espanto mas também desejou boa-noite. Foi bom.

Guardo na memória os risos, os cheiros, as cantorias e as bailações das noites de São João no Porto - guardo na memória porque raramente os horários escolares me permitem que para lá desande.

Prefiro a festa à moda do Porto. Ninguém ali é arregimentado para ficar horas de basbaque a ver as marchas passar. Anda-se pelas ruas sem destino, parando aqui e ali porque há bailarico, mais além porque se lançam balões. E pelo caminho esfrega-se o alho porro ou o molho de cidreira na cara do desconhecido passante que retribui animadamente. Agora tudo à mistura com os plásticos martelos.

E revejo o meu pai com um sorriso a distribuir cravos ou rosas às jovens raparigas que com ele se cruzavam enquanto a mãe se envolvia nas batalhas aromáticas dos alhos ou das ervas. Lembro-me da avó respondendo com vénia de bonomia às alhadas no seu belíssimo penteado branco. Lembro-me do velho tio que se enfiava no comboio sozinho para passar a noite de São João na cidade que tivera de deixar para trás.

As vésperas de São Pedro ocupavam-se com cerimónias de fogo no pátio da casa. Lá estavam as bichas de rabiar e outros fogos de vista. O ponto alto era o lançar de um balão construído por nós com arame fino e papel de seda que obrigava a gestos coordenados e conjuntos e ensinava um pouco de física. Os bonecos da cascata que todos os anos montávamos assistiam do seu canto.

Para além das sardinhas, era da praxe o cabrito assado. Lá o recupero mais uma vez este ano em Lisboa. Pois que viva o António, o João, o Pedro e até o Bento que já teve este ano muitas romarias.


Quinta-feira, Junho 11, 2009

Tão "sábios"...

Vale a pena ir espreitar o site da EPIS - empresários pela inclusão social.

Preside à direcção desta instituição, tão benemérita, sábia, criativa, salvadora da escola, o senhor João Rendeiro. Pois, esse, o do BPP que está condenado à falência.

Andei pelo site a passear e descobri que esta protectora instituição existe desde 2006. Por entre fotos de encontros, almoços e jantares de estadão (que lhes tenham feito bom proveito) encontrei citações:

“Para mim, a EPIS lembra-me Prometeu: com rigor, determinação, espírito de equipa, unidade na diversidade e pluralidade de perspectivas, roubamos o fogo a Zeus para o distribuirmos aos
desafortunados da vida que, lutando, não sabem como usá-lo de modo eficiente.”
Prof. Carlos Fernandes da Silva, Professor Catedrático, Conselho Científico EPIS

Cá está. Por isso incendiaram as escolas. Os deuses nos protejam dos nossos salvadores!

Quero ainda afirmar que o sentido de tudo está exactamente no cheiro do outro e na possibilidade de sentirmos esse cheiro... isto acontece quando estamos regularmente em coaching nas escolas, frente a frente com o miúdo rebelde, com o aluno em ruptura com o sistema ou com o adolescente desorientado e sem âncora familiar. Aí, mesmo que no papel de "treinador" dos mais novos, cumpre-se em pleno a EPIS.”
Dr. Daniel Rijo

Eu é que ainda não senti o cheiro destes treinadores. Bem gostava de perceber o que fazem nesse frente a frente com os alunos. Lá num qualquer ponto dizia-se que havia que descobrir até à Páscoa os alunos em risco. Dois períodos? E depois? Como treinam? Coaching?

Contamos com a colaboração de todas as Escolas Públicas do Concelho, que prontamente aderiram a este novo desafio e com uma equipa de Mediadores altamente motivada e muito empenhada no trabalho com os professores, alunos e famílias. Acreditamos que este Projecto vai congregar esforços e vontades diferenciados, com um propósito comum: contribuir para uma maior inclusão social dos alunos abrangidos, e para reduzir as taxas de abandono e de insucesso escolar no concelho de Odivelas.”
Filomena Viegas, Câmara Municipal de Odivelas

O concelho mesmo aqui ao lado e eu sem me ter apercebido deste desafio. Talvez por cá passe algum colega de Odivelas e explique estas maravilhas.

“No Agrupamento de Escolas D. Dinis, Odivelas, o Projecto EPIS pelos seus princípios orientadores e por todas as etapas já desenvolvidas, tem-se revelado de extrema pertinência, uma vez que, desde logo, centrou no aluno a análise de uma complexa “teia”, há muito diagnosticada pelos professores: a origem sócio-económica e cultural, a estrutura familiar, o contexto das amizades (áreas suburbanas: “terras de ninguém”), as condições habitacionais...
A Instituição Escolar, conforme hoje é constituída, revela-se anacrónica por falta de recursos físicos e humanos especializados.
Assim, o Projecto EPIS é INDISPENSÁVEL pela conjunção articulada das sinergias que influenciam o combate ao insucesso e abandono escolar, através de uma metodologia rigorosa e científica. (...)
Ana Manuela Gralheiro, Presidente do Conselho Executivo
do Agrupamento de Escolas D. Dinis - Odivelas

Descobriram o que os professores há muito tinham descoberto. Foi bom, certificaram a descoberta - a tal teia. Depois houve uma conjunção articulada das sinergias que influenciam o combate ao insucesso e abandono escolar e contribuíram para o êxito do Projecto. Que bom! E se explicassem a metodologia rigorosa e científica...

Resultados e Património Líquido
Com um resultado líquido apurado no valor de 1,640,273?, o património líquido da EPIS passou de um valor de 2,161,827? no final de 2006, para um valor de 3,802,099? no final de 2007. A rubrica “depósitos bancários e caixa” apresentou um valor de 3,384,732? no final de 2007. A maior parte deste valor - equivalente a 2,800,000? - está aplicada em depósitos a prazo, com maturidades entre 6 meses e 1 ano, e remunerações de mercado preferenciais, obtidas da consulta dos bancos Associados da EPIS.

Um património líquido de três milhões não é mau. E está no banco, a prazo. O presidente da instituição é o banqueiro João Rendeiro, saberá gerir a coisa. Pena que não esteja ainda para consulta o relatório e contas de 2008.

O site merece uma visita para percebermos o que se está a passar. Eu fiquei muito mais esclarecida. Ggggrrrrrrr.

Quarta-feira, Junho 10, 2009

10 de junho - insuflado gótico

Liga-se a televisão de manhã e cai-se nas cerimónias.

Aos desfiles seguem-se os discursos. O do António Barreto que presidiu à organização não deve ter sido protocolar. Não se falou mais dele. E eu, que gostei, espero poder lê-lo amanhã no jornal. O do Presidente da República não consegui ouvir. Logo nas primeiras palavras puxou do Nuno Álvares Pereira e estes heróis guerreiros e santificados rolham-me os ouvidos. Preconceito meu.

Às armas, às armas... ufa, safa, safa. O "Acordai" do coro levantou os condecorados. Ex-ministros da educação, ex-secretários do estado da dita e uma dona da atual comissão de avaliacão, ah. Deve ter sido a indicação da inefável Maria de Lurdes, na esperança de um dia subir a recolher a medalha, ladeada pelos também inefáveis Walter e Pedreira. Acho que foi à esperança que o Presidente da República apelou.

Acabou num fandango escalabitano.

AP Aqui fica a ligação para o discurso de António Barreto.

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Depois dos votos

Tinha as primeiras aulas da manhã e foi bom ver os professores sorridentes a chegarem à escola. Há muito que não havia por ali tantas caras iluminadas. E, contra o que era habitual, até se falava de "política". Uma animação refrescante.

Sape gato lambareiro, tira as mãos... do açucareiro.

À sueca

Na Suécia o Partido dos Piratas ganhou um deputado no Parlamento Europeu. Lá estará então um pirata declarado. Melhor assim.