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M. Eugénia Prata Pinheiro

segunda-feira, setembro 22, 2008

Avaliações dos empenhos

Ouvi há dias a um amigo não professor um judicioso comentário - se nem nas fábricas de fósforos essas avaliações de desempenho tiveram êxito, como se pretende impor um tal sistema às escolas que deviam ser obras de arte de relacionamentos interpessoais e de passagens de conhecimento?

E indo à etimologia da palavra escola lá vem : do grego, skholê, ês - descanso, repouso, lazer, tempo livre, estudo, ocupação de um homem com ócio, livre do trabalho servil [...] ocupação voluntária de quem, por ser livre, não é obrigado a;...Dicionário Houaiss que era o que estava à mão.

A escola que vimos fazendo é bem a negação de tudo isto. O negócio que nega o ócio vai-se impondo com facetas variadas.


Estou desde início contra estas avaliações que apenas aprofundam o desastre em que a escola vem mergulhando. Já me "portei mal" quando se iniciaram na escola as apresentações das grelhas e abandonei as reuniões recusando-me a participar em tais dislates. Aturei um dia destes a última reunião departamental em que surgiram as grelhas nos seus finalmentes. A calamidade está à vista mas ainda há aqueles que, arvorando um ar crítico e conhecedor (participaram naquelas ações de formação para a medida do empenho) torcem o nariz à falta de indicadores quantitativos. Na grelha tem de estar - usa as tecnologias de informação duas vezes, leva um ponto, quatro vezes, dois pontos e por aí fora. Para que foram usadas, que aprendizagens resultaram disto ou daquilo, que ambiente se criou entre alunos e professores e demais interessados, não interessa nada. Tem um lindíssimo e volumoso portafolhas, um milfolhas - muito bom ou mesmo excelente (dependendo a coisa do empenho e das quotas).

Também são estes empenhados que propõem como objectivo para o "sucesso" dos alunos na escola 60%. Pois então, transitarem 16 alunos numa turma de 26 não é uma meta excelente? Em 28, 17 avançando, magnífico. Passarem 12 numa turma de 20, que coisa boa! Assim sim, será uma meta não facilitista, uma meta de rigor, de exigência, de excelência.

Sucesso/insucesso - são agora as palavras chave. Quanta gente, falhada ou apagada nestas escolas do sucesso, cumpriu ou cumpre muito bem os seus papeis na sociedade?

Mas meta é meta e os professores passarão as metas, pois.

Lembro-me de uma história com umas dezenas de anos, ainda o numerus clausus em alguns cursos do ensino universitário se fazia de modo discreto. Uma excelente professora de matemática foi convidada a lecionar uma disciplina dessa área num ano "zero" de um curso de medicina. Única condição posta - reprovar uma elevada percentagem de alunos. Recusou naturalmente a professora - gostava do que fazia, sabia passar esse gosto e as aprendizagens, interessava-se pelos alunos, poucos poderiam ficar para trás.











2 Comments:

Blogger ProfAvaliação said...

Excelente texto! Brilhante!

9:22 da tarde  
Anonymous setora said...

Obrigada. Como já disse algures lá para trás, fiz aquele exame de passagem para o oitavo escalão (sou do jurássico). Até tive muito bom , a nota máxima da época, e não me atrapalhou nada fazê-lo mas não decorreu daí nenhuma vantagem para os meus alunos. Esta avaliação que agora se impõe tem como objectivo único controlar andamentos na carreira para conter gastos.E, embora pense que a maioria dos professores tenha compreendido isto, torna-se inexplicável como tantos se enredam nesses grelhamentos desviando-se do que era importante - reflectirmos mais no que fazemos com os alunos, com cada aluno, trabalharmos de modo mais cooperativo,trocarmos experiências...
E admitindo que encurtou o dinheiro - a mantinha - devíamos era negociar modos de não deixar para sempre tanta gente com os pés de fora, como irá ficar se deixarmos que se mantenham as disposições do ecd, estas titularidades absurdas cobertas por esses fantásticos concursos,estas míseras quotas que tornam mais difícil um professor mudar de escalão que um camelo passar pelo buraco da agulha...
E seria normal que todos fossem sendo justamente recompensados pelo trabalho que desenvolvem com os alunos.

11:06 da tarde  

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