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M. Eugénia Prata Pinheiro

domingo, outubro 18, 2009

Sobre os rankings

José Manuel Fernandes no Público de 17 de Outubro

...Este ano, uma das questões que se colocava era a de saber até que ponto a instabilidade vivida nas escolas do sistema público no passado ano lectivo tinha, ou não, afectado os seus resultados finais. [...]

De uma forma geral, nenhum responsável, mesmo os das escolas que subiram várias posições, nega que o sistema que o ministério quis impor teve um efeito negativo. Nuns casos, levou ao êxodo de muitos dos melhores professores. Noutros, a sobrecarga de burocracia só não produziu piores resultados porque houve um grande esforço das escolas e dos professores.

Porém, se deixarmos as avaliações subjectivas e passarmos aos números, estes impressionam. Em 2008, havia três escolas públicas entre as vinte primeiras do ranking relativo ao ensino secundário; em 2009, há apenas uma e atípica: o Conservatório de Música de Calouste Gulbenkian, de Braga. Pior: em 2oo8, havia 22 escolas públicas entre as 50 primeiras; em 2009, apenas 16. Ou seja, concretizou-se aquilo que prevíamos há um ano: a forma como o ministério estava a levar por diante reformas que, mesmo bem intencionadas, assentavam em métodos errados prejudicaria a escola pública [...]

Por outro lado, como também denunciámos mais do que uma vez, alguns dos números que sustentavam o "sucesso" das reformas eram artificiais. O "milagre" da Matemática, em especial a fantástica média de 14 nos exames nacionais do secundário em 2008, era fantasioso, pois correspondia, apenas, ao facto de os exames se terem tornado mais fáceis. [...]


Nota minha: José Manuel Fernandes dá de barato que as reformas fossem bem intencionadas.Ora, como já muitas vezes por aqui disse, as reformas não visavam melhorar as aprendizagens. Tinham por único objetivo poupar dinheiro com os professores fazendo-se no entanto, de conta que se investe na educação/instrução. Aos professores tranca-se a progressão na carreira, carregam-se de tralha burocrática, aumenta-se o tempo de permanência na escola retirando-lhes a possibilidade de prepararem o trabalho com os seus alunos e simula-se a sua avaliação. Para tal usa-se legislação absurda em catadupa, usam-se tiranetes deslumbrados empossados directores assessorados por numeroso séquito, usam-se avaliadores saídos de cartolas mágicas... Mas fazem-se obras de raiz em escolas em bom ou razoável estado (os barracões da minha lá continuam desafiando a saúde e o trabalho dos que por ali andam), "avanços tecnológicos" para as estatísticas, extensões balofas de horários...

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