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M. Eugénia Prata Pinheiro

sábado, julho 25, 2009

Mentira de Estado - demonstra o Paulo Guinote

Ontem dei conta da aparente desorientação que tomou conta da imprensa em relação aos números que a propaganda governamental fez sair em torno da avaliação dos desempenho dos funcionários públicos.

Achei aquilo tudo muito estranho, porque nada parecia bater certo com nada. Durante a noite chegou-me uma cópia do material enviado pelo gabinete do secretário de Estado da Administração Interna com os dados relativos a essa avaliação. Julgo que corresponde aos dados que caíram na redacção dos jornais.

E então tudo encaixou.

Observemos o quadro para perceber como a avaliação dos docentes é central em todo este processo e como está a ser manipulada para efeitos de construção estatística de uma realidade virtual para efeitos de propaganda eleitoral.

SIADAP

Repare-se como para o total de funcionários avaliados, o Ministério da Educação contribui com mais de 50% do valor apresentado.

O problema é mesmo esse.

Como é possível que em 2008 se considere que foram avaliados mais de 160.000 funcionários do ME e não foram apenas 25.000, quando sabemos perfeitamente que cerca de 130.000 professores não foram objecto de qualquer avaliação?

A verdade é que sem esse valor, o número total de funcionários avaliados desceria para pouco mais de 150.000, pois também há muitos funcionários da estrutura administrativa do ME que não foram objecto de qualquer avaliação.

O que significa algo muito simples: os dados apresentados são falsos.

Falsos

Falsos

Falsos.

Entendem?

O que está neste quadro é completamente falso.

E ando por aqui em bolandas em busca do link que me mandaram ontem para um post no qual se demonstra a falsidade dos dados apresentados para o próprio Ministério das Finanças, devido à não avaliação em 2008 dos funcionários da DGCI. Só me lembro que, com base nos indicadores apresentados naquela tabela, equivalendo o número de funcionários da DGCI ao 1,2% que se declara não ter sido avaliados, isso significaria que o Min. Finanças teria mais de um milhão de funcionários. O que se passa é que consideram avaliação individual de funcionários, uma avaliação global dos objectivos de um dado serviço de acordo com os QUAR.

Mas encontrei a ligação para um documento que demonstra que o SIADAP só vai começar a ser aplicado na DGCI este ano. Basta, pois, confirmar o número de funcionários da DGCI e perceber que o universo de funcionários a avaliar apresentado (12.662) é uma completa mistificação.

Quanto aos outros Ministérios não sei, mas os casos das Finanças (alegado melhor desempenho) e o da Educação (alegado pior desempenho) são basdeados em dados falseados. Completamente manipulados, amputados, acrescidos, o que queiram chamar.

É a elevação da mentira descarada a discurso oficial do Estado.

E seria bom que isso fosse denunciado, após apurado escrutínio.

E a comunicação social tem essa obrigação, antes de ecoar dados de forma acrítica.

E os partidos da oposição, antes de irem a banhos, poderiam fazer o seu trabalhinho de casa.

Não pode ser apenas a malta dos blogues porque, acreditem, também temos outras coisas para fazer e pouco a ganhar.


Nota: Furtei o texto ao Paulo Guinote da Educação do meu Umbigo. Trabalho de casa esclarecedor.

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