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M. Eugénia Prata Pinheiro

sexta-feira, julho 03, 2009

Respeito

Em casa escrevia relatórios e atas tendo como cenário e som de fundo o debate sobre o estado da nação na Assembleia. Que não estava em muito bom estado pude ir concluindo. Esgrimiam-se mais ou menos subretícios (estará assim no acordo ortográfico?) insultos, afirmavam-se mentiras mais modernamente chamadas inverdades, faziam-se acusações apoiadas em argumentos falaciosos. Nada de discutir com rigor e seriedade a substância das coisas. Todos mantinham pose de pessoas importantes dizendo coisas importantes num lugar importante.

O papel dos ministros nesta cerimónia é confrangedor. Ali estão sentadinhos no balcão que lhes cabe, ouvindo mudos e quedos as patacoadas quer do seu primeiro quer dos primeiros da plateia. Ali estão no papel de acólitos de um senhor que tem a boca (e a barriga) cheia de EU. Figurantes de baixa categoria, menos interactivos que os que assistem aos programas de um qualquer Goucha. Se já por aqui disse que nenhum daqueles senhores aguentaria uma semana a dar aulas na minha escola, suspeito que eu não aguentaria três horas daquela palhaçada. E acho que até têm coisas penduradas para fazer, pelo menos no que toca à senhora que faz de ministro da educação.

Às tantas o senhor que fazia de ministro da economia descompôs a figura. Fez de si touro pronto para investida. A câmara de tv mostrou o gesto que compunha a transfiguração. Ao que parece respondia a provocação lateral de um deputado. As bocas alheias e próprias não se ouviram. E é no que dá haver câmaras de tv. É como com os telemóveis que filmam os incidentes das aulas. Se não houvesse filme, não havia incidente. Se não houvesse câmara de tv o homem/touro passaria despercebido. Assim caíu o Carmo e a Trindade.

Considera-se que tudo estava a ser da maior correção e respeito e que só a figuraça do ministro da economia abandalhou. Conceções de cortesia que não partilho. Ouvi na rádio um comentador afirmar que tal gesto tinha sido gravemente desrespeitoso para as mulheres. Esta agora! Distinção de género que não entendo. Devo estar a precisar de formação em linguagem gestual. Se a investid[ur]a fosse contra uma Ana Drago, ainda faria algum sentido, o macho latino, bla, bla, bla! Mas o visado era o Bernardino Soares! Bom, adiante, o respeitador Sócrates atirou abaixo o ministro que, confesso, tinha trazido um pouco de frescura à redação da minha ata. Aquilo tudo era tão mauzinho... e um homem que declara terminada a crise faz falta em qualquer governo.

Apesar de terem andado a instalar na Assembleia barreiras químicas contra os xilófagos, preciosidade que já aqui registara (Valha-me outra vez o La Tourette - 24/10/2008), o caruncho anda mesmo a roer-lhes as cabeças.

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