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M. Eugénia Prata Pinheiro

segunda-feira, julho 19, 2010

Octávio Gonçalves - sobre os 48,7% de negativas no exame de 9º ano

Perante esta trágica percentagem de classificações negativas à disciplina de Matemática, no exame nacional de 9.º ano, não vou poupar nas palavras, uma vez que o caminho que nos trouxe até aqui é tão óbvio e tem vindo a ser denunciado por muitos de nós (os radicais e direitistas), com tal insistência, que chegou a hora de ser partida a loiça, antes que a escola pública caia, em escombros, às mãos daqueles que, de forma equivocada e fraudulenta, têm vendido uma concepção de escola e de educação que, supostamente, faria toda a diferença, porque inclusiva, igualitária e dotada de professores "metidos na ordem" e "domesticados" por um poder político determinado (apesar de imbecil, como se vai constatando).
Todavia, aquilo que temos é uma escola facilitista, no nível de exigência e empenho requeridos, mas também em termos de negligenciação da disciplina, convertida em entidade certificadora de ignorâncias e inépcias, assim como enredada em tralha pedagógica, planos, burocracias e espalhafato folclórico.
Atacar a autoridade, a reputação e a autonomia pedagógica dos professores, constrangendo-os a burocracias contraproducentes, ocupando-os com jogos inúteis, persecutórios e de cabra-cega, em que qualquer um pode avaliar qualquer outro, ao invés da escola se organizar e os professores se dedicarem exclusivamente às tarefas requeridas pelo ensino-aprendizagem e ao trabalho aturado e persistente com os alunos, vem a dar nisto: degradação progressiva da escola pública e agravamento das desigualdades sociais, mercê da efectiva impreparação de milhares de alunos, mesmo que enganados pela ilusão da progressão e do sucesso facilitados (logro que os exames nacionais do ensino básico, mesmo aferidos por baixo, vêm evidenciar).
Os resultados começam a estar à vista e, no próximo ano lectivo, com o regresso de mais ocupação obsessiva e estéril, induzida por um modelo de avaliação dos professores sem pés nem cabeça, tudo será ainda pior.
A situação a que a escola pública chegou devia fazer corar de vergonha a trupe de incompetentes atrevidos que os portugueses permitiram que os (des)governassem, mas também os seus ideólogos de serviço, apostados em idiotices como escola a tempo inteiro, escola inclusiva e libertação do povo pela democracia certificadora das escolas, que mais não são do que uma fraude intelectual e moral que vai condenar uma parte significativa dos jovens à privação de uma formação escolar sólida, enquanto condição indispensável à sua mobilidade social.
Os autores e os acólitos da destruição "criminosa" da escola pública têm rosto e merecem ser apontados a dedo, pois andaram, durante os últimos cinco anos, a condicionar os professores (afastando-os do essencial da sua função), a enganar os portugueses, a vender uma escola "agora, sim" e a servir-lhes uma despudorada propaganda. E os animadores deste circo trágico são/foram:
- José Sócrates (por acção); Maria de Lurdes Rodrigues (por acção); Valter Lemos (por acção); Jorge Pedreira (por acção); Isabel Vilar (por acção); Alexandre Ventura (por acção); Trocado da Mata (por acção); Margarida Moreira (por acção); Albino Almeida (por colaboração); Conselho de Escolas (por colaboração); organizações e estruturas que se atrelaram ao socratismo (por colaboração); opinadores que se deixaram levar pelos reflexos condicionados da estimulação retórica; ideólogos deslumbrados com muitas das patranhas das ciências da educação e do eduquês; mas, também os sindicatos que pactuaram, ultimamente, com a "farsa" da avaliação e legitimaram ataques e condicionamentos aos professores.
Isto não vai lá com planos, com manipulações estatísticas ou com ilusionismos mediáticos de quem é incapaz de assumir os erros e os problemas, mas com uma nova orientação e mentalidade que valorize os professores e a sua dedicação ao trabalho com os alunos, cultivando a exigência, a disciplina e o mérito, num movimento e num esforço que procure criar as condições, nas escolas, que levem os alunos a aprender e a desenvolver as suas competências ao máximo possível, o que é susceptível de ser aferido pela introdução de exames, nos finais de ciclo.
Já sei que surgirão alguns iluminados mais atrevidos com a solução para as situações de insucesso e de impreparação dos alunos, a qual deve passar pela eliminação pura e simples dos exames, pois, dessa forma, a sociedade não perceberá o que os alunos estão ou não estão a aprender nas escolas, deixando de haver preocupações e problemas.

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