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M. Eugénia Prata Pinheiro

sexta-feira, julho 03, 2009

Directores, pais, autarquias... dec-lei 75/2008

Grande preocupação pelos blogues dos profes. A doutora Manuela Ferreira Leite, candidata a primeiro-ministro, não se manifestou acerca do decreto da novíssima gestão.

Eu vou perguntando aos meus botões:

- os velhos conselhos executivos eram impolutos, puros, virtuosos, imaculados?

- os velhos conselhos executivos usavam de total democraticidade para tomada de decisões?

- não havia nepotismo nos velhos conselhos executivos?

- os velhos conselhos executivos nunca funcionavam com discricionariedade?

- não se organizavam cliques e claques à volta dos conselhos executivos resultando daí favores?

- para tomada de medidas obscuras não se abrigavam nas sombras do ME e das DRE?

E tantas, tantas outras perguntinhas de semelhante teor. Este faz de conta que é democrático nunca me convenceu.

Ah, agora vão ser as autarquias e mais os pais, e tal e porque torna e porque deixa... Quero lá saber. Até pode ter como resultado abanar as pessoas. Até agora, no meu departamento, só eu fazia aquelas perguntas mais incómodas. Ontem já não fui eu que falei na falta de uma "filosofia de escola", na falta de definição de critérios para uso nos conselhos de turma, falta geradora de arbitrariedades gritantes, nos constrangimentos decorrentes de maus horários para as turmas... Ontem ouvi muitas vozes.

Não havia já assembleias de escola com representantes das autarquias e dos pais/ee? Na verdade para ali estavam de corpo presente dizendo amen, amen. Quando a imaculada assembleia da minha escola me pôs um processo disciplinar para conduzir ao arquivamento de um recurso hierárquico que interpusera indignada com os maus tratos infligidos a uma das minhas turmas com manifesto abuso de poder, todos os presentes (professores eleitos pelos professores, funcionários eleitos pelos funcionários, representantes da autarquia, representantes dos pais) levantaram os bracinhos para apoiar o poderzeco.

Havia agrupamentos/escolas em que tudo funcionava bem? Dou de barato que houvesse mas a experiência na maioria das escolas onde trabalhei leva-me a dizer tanto me faz.

Confesso que nem li o decreto, que tenho tido coisas mais interessantes para ler, mas na minha escola a senhora que fazia de presidente do CE faz agora de diretora, a vice passou a sub, os vogais passaram a adjuntos - espero não estar a enganar-me na terminologia decretada. O conselho de escola já transitou para definitivo.

Não tive nadinha a ver com nada disto e mais Bobi menos Bobi, mais Tareco menos Tareco não me ocupa nem preocupa.

Lá que gostava que os candidatos a primeiro ministro declarassem que iam acabar com os titulares de quê, acabar com a avaliacão/farsa, acabar com a burocrática ocupação dos professores deixando-lhes tempo para se ocuparem das aprendizagens dos alunos, rever estatutos anulando as medidas de robotização e achincalhamento das pessoas lá isso gostava...

Justificar completamente

5 Comments:

Blogger Ricardo Silva said...

Tocas aqui num ponto muito interessante e muito verdadeiro. E acho que tens, em diversos casos, inteira razão. É verdade, sim senhor, que muitos CE's (e antigos CD's) funcionavam apoiados em cliques e claques, (embora agora o problema se mantenha e até se possa ampliar) distribuindo favores (horários à medida, e vários etc.) e com isso lá se iam aguentando no "poder" anos a fio, muitas vezes DEZENAS DE ANOS, exercendo-o de forma muito pouco participada e democrática. Claro que gente dessa, equipada agora com os poderes que lhe confere o 75, e desde que eleita Director(a), será um caso mt sério e mt complicado. Mas tb é verdade que em algumas escolas só se conseguiram derrotar vícios de gestão de muitos e muitos anos com a mudança das equipas directivas, e essa mudança da gestão só foi possível devido a uma nova forma de eleição (que em termos globais não defendo), retirando assim o poder exclusivo à sala de professores onde os favores e as amizades tudo decidiam. Seja como for, em termos globais, considero que este modelo de gestão é para derrotar. Encontro-lhe, no entanto, uma grande vantagem que seria de manter: a limitação de mandatos.

Abraço

3:54 da manhã  
Blogger Setora said...

Valha essa vantagem. Não se eternizarão lá.

10:03 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Esta de escrever pró ar não é grande ideia.. È mesmo preciso ler o dito e mais os RIs com as obrigações, competências, encargos e ambivalências todas muito bem esclarecidas para depois poder escrever!
Eu tb não queria ler mas já o fiz!

10:16 da tarde  
Blogger Ricardo Silva said...

Pois é. É preciso lê-lo e também é preciso ter coragem e determinação para saber combatê-lo. E quando se tem a esmagadora maioria dos colegas da escola a apoiar-nos nessa luta, dá-nos ainda mais vontade e conforto!

12:59 da manhã  
Anonymous setora said...

Ricardo, a tua escola parece-me bastante fora do comum.

1:58 da manhã  

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