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M. Eugénia Prata Pinheiro

quinta-feira, outubro 29, 2009

Com o P., na ilha dos mortos

Ulisses foi parar à ilha dos mortos e nós com ele. Armei-me de pinças.

Soltam-se curiosidades mórbidas - as cerimónias fúnebres por aqui e por acolá, o que acontece aos corpos enterrados, as mortalhas... e eu a tentar aproveitar para passar a conversa para a bela teia da Penélope... sem êxito que o depois da morte fascina-os. O P. quer esclarecimento: é verdade que depois de morrerem os espíritos se encontram no céu, se conhecem e falam uns com os outros? Esclarecimento impossível mas, se ele gostaria que tal acontecesse, podia acreditar nisso. E saltei para o Tântalo e para o Sísifo estendendo os mitos tanto quanto pude - esticamo-nos para tentar colher fruta, debruçamo-nos para tentar beber água, empurramos com esforço o pedregulho montanha acima - e buscamos sentidos. Demos ainda volta ao profeta e à profetisa, ao prever e predizer. No fim da aula o P. retoma as dúvidas - há quem diga que os espíritos voltam e vão para os bebés que nascem! É verdade? Não se podia pôr o problema da verdade em tal assunto. Seria escolha sua - se gostava daquela hipótese, podia aceita-la. Se preferisse pensar que cada espírito ocupava uma estrela... pois que pensasse isso. No domínio destas ideias podia construir a que lhe agradasse mais, a que trouxesse maior tranquilidade para a sua vida.

Saímos.

Difícil pôr-me no lugar do P. para encontar as respostas a dar-lhe.
Guardei as pinças no bolso.

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