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M. Eugénia Prata Pinheiro

quinta-feira, maio 31, 2007

Esta aferição servirá para quê?

Nesta história das provas de aferição está a sair-me sempre o ás.

Durante as provas calhou-me o isolamento profiláctico que me poupou à figura de urso.

Agora nas classificações os deuses também me protegeram e isto merece detalhe.

Até este ano, sempre que houve provas de aferição eu, porque estava no 10º jurássico, estava impedida de participar na função. Arranjei sempre explicações simpáticas para a exclusão - pretende-se que funcione como formação e eu estou a chegar à reforma (não, nunca me passou pela cabeça ..."com os pés para a cova ou caquética"); o processo é pago e eu estou no topo, que ganhem os menos abonados.

Surpreendentemente este ano acabou-se o dinheiro e lá foi o meu nome na lista. E na verdade já não estou perto da reforma, rejuvenesci à força (os pés para a cova e a caquexia são agora pormenores de somenos).

Mas temos supervisora da escola e isso impede que seleccionem de lá classificadores. Deixo para outra altura esta super visão que brota do nosso seio e que tanto jeito me deu.

Foram os deuses, o meu santo Alzheimer!

Danar-me-ia ter de oferecer aí umas 30 horas de trabalho a somar às 40 semanais que venho a cumprir desde o início do ano lectivo (30 na escola e uma média de 10 em casa). Não sei como não se exigem contrapartidas, nem que seja em dias de férias.

Danar-me-ia ter de gastar tempo e dinheiro do meu bolso em deslocações inesperadas de alguns quilómetros, para recolher as provas que me caberiam, como tem acontecido a tantos professores envolvidos no processo.

Incomodar-me-ia reduzir a pontuação na redacção do texto final por desrespeito pelo "universo de referências iniciais e incoerências na progressão" que uma segunda leitura do texto poderia impedir e que foi vedada aos alunos. E suponho que nenhum se lembrará de apresentar com aspas o diálogo, tal como aparece no texto inicial.

A falsidade do anonimato, pois suponho que em parte se perdeu, também não me agradaria.

Olhando a prova e as classificações atribuídas às diversas respostas, cada vez mais me parece que será possível construir um instrumento de aferição para 50 ou 60 minutos. E este excesso de papel (19 páginas na Língua Portuguesa 2º ciclo, 17 no 1º ciclo, 22 páginas na Matemática do 2º ciclo e 23 páginas no 1º) que se consome nestes exercícios é, sem dúvida, um mau ensinamento para os alunos. É ensinamento para mim que ao longo do ano me esmifro para conter o gasto de papel e cópias na escola, gastando do meu bolso em casa inúmeros tinteiros e resmas de papel. Que me venham cá com a conversa do esgotamento do plafond atribuído a cada um e da falta de verbas!

Fiquei há dias a saber que os alunos que estão no 4º ano em escolas do agrupamento e que não sabem ler, ficarão dispensados da prova de aferição. A dispensa parece-me justificada mas ser-lhes-á apenas marcada falta como a qualquer outro que esteja doente, ou haverá registo real dessa situação? É que no próximo ano lectivo eles virão para o 5º ano. No início deste ano lectivo, numa das minhas turmas com 24 alunos, dois deles não sabiam mesmo ler. Um terceiro começava a arranhar. Uns dez liam e compreendiam o que liam. Onze, portanto, ainda andavam a tactear.

Quando no início do ano detectei a situação (porque não constava claramente em nenhum relatório) e a expus em departamento e conselho de turma não foi possível encontrar soluções. Naturalmente que em espaço de aula com a turma é impossível fazer trabalho individual com estes alunos. E só com trabalho nesses termos seria possível que ganhassem essa "competência". Mas tudo é interdito. É interdito tirá-los da turma durante um ou dois meses para que alguém destacado para o efeito trabalhe com eles para que voltem depois ao trabalho normal. É interdito tirá-los da frequência de algumas outras disciplinas para que, usando os meus tempos não lectivos, pudesse com eles fazer esse trabalho. É interdito mandá-los de volta para o 1º ciclo e se de lá vieram sem aprender, seria uma ida em vão. Então a sequência acontece de forma natural - lá vão abandonando as aulas e a escola. Um deles, com apenas onze anos e habilidade para o desenho, resistiu, embora flutuante, até ao terceiro período, atrapalhando frequentemente as actividades que se iam desenvolvendo e em que não conseguia participar. Qualquer deles me pareceu ter normais capacidades de aprendizagem. Como é então isto possível? Que se passou durante o 1º ciclo?

Servirá para quê esta aferição? A ver vamos.












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