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M. Eugénia Prata Pinheiro

sexta-feira, maio 25, 2007

Figura de urso

Talvez por ter posto em causa esse atentado pedagógico de os alunos, tendo toda a prova de aferição à frente do nariz, estarem impedidos de vir atrás durante a segunda parte, fui colocada na sala preparada para receber os indispostos ou desordeiros. Passei, portanto, todo aquele tempo das provas a corrigir tranquilamente trabalhos e a ler o jornal - não tive alunos a fazerem-me companhia nem tive que pôr a alma à venda. Muito obrigada.

Tive depois os colegas aplicadores a virem queixar-se da figura de urso que foram obrigados a fazer impedindo os alunos, durante a prova de português, de voltar ao texto quando na segunda parte se lhes pedia que em nome da personagem principal elaborassem um convite e que redigissem uma sequência para o dito texto.

Sentiram-se também num reino de idiotia quando, depois de unissonamente terem lido instruções sobre o precioso anonimato da prova, para a tal elaboração do convite se pedia que fosse indicado o lugar da festa o que veio a traduzir-se no detalhar de todas as moradas daqueles alunos. Se quem assinava todos os convites era a personagem Catarina, ela passou naquelas provas todas a morar na zona da minha escola. Se não está claramente identificado o João ou a Lídia, a escola está lá plantada a pedido dos esclarecidos técnicos elaboradores destas aferições.

Terá alguma influência no professor corrector saber que está a corrigir uma prova de um menino da Quinta da Marinha ou de um menino do subúrbio favelado? Parece-me que terá mas quem sou eu para me pronunciar! Será assunto para mestrados e doutorados nestas coisas.

Se os doutos concluírem que terá influência, gastar-se-á tinta e paciência a riscar moradas em todas as provas de todo o país porque o que aconteceu na minha escola, aconteceu em todas as outras.

E como os professores aplicadores estavam transformados em robots e impedidos de dizer fosse o que fosse que não constasse do manual, mesmo apercebendo-se da bronca que se avizinhava, cumpriram o papel que lhes estava atribuído, embora vissem a sombra gozadora de um enorme urso projectando-se nas suas figuras.

O código convencional de escola perdeu assim todo o sentido e o anonimato está em causa. Alguém será chamado à pedra por revelada incompetência que anula todo um caro processo?

Vi na imprensa que o dia 22 era feriado municipal na zona de Leiria o que implicou o pagamento extraordinário a todos os professores e funcionários da zona para que as provas tivessem lugar e estragou o feriado a todas as famílias com filhos envolvidos nestas provas. Quem paga esta brincadeira tonta? No ME não há agendas?

Já me tinha causado perplexidade que se tivessem escolhido os mesmos dias da semana para as provas de aferição e para os exames do nono ano. Perdem-se duas semanas de aulas com as mesmas turmas. Mas nos gabinetes ministeriais tudo isto passa ao lado.

Aparentemente coisas pequenas - estabelecimento de datas, operações para manutenção de anonimato - causam forte perturbação e põem em causa a seriedade que se pretendia impor ao processo. Avaliação negativa para o ME.

Que tal umas acções de formação? Área de Projecto?




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