Escola

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M. Eugénia Prata Pinheiro

quarta-feira, outubro 31, 2007

Socorro, PGR!

Senhor Procurador Geral da República,

Agradeço que tenha estabelecido como prioritária a investigação de casos relacionados com violência escolar e tenho a dizer-lhe que compreendo a desvalorização que a senhora Ministra da Educação pretende fazer do assunto.

Tanto quanto me é dado ver aqui por esta minha escola deste mundo outro, a violência é na verdade exercida pela tutela, sendo por isso natural que tente escondê-la. E esta violência abate-se sobre os alunos, os professores e os auxiliares de acção educativa. E terá, por certo, reflexos na vida das famílias de todas estas vítimas.

Para enfatizar essa prioridade poderia o senhor Procurador colocar na sua agenda pessoal uma deslocação a esta escola pública aqui às portas da capital deste avançado país da UE. Com comitiva - que deveria incluir a própria Ministra, para cumprimento do protocolo - e muitos órgãos da comunicação social no séquito. Seria a primeira investigação e directamente comandada pelo investigador principal.

Veria então, com os seus próprios olhos, alunos, professores e auxiliares impedidos de cumprir as funções que lhes estão atribuídas por absoluta falta de condições mas, a maioria, a tentar cumpri-las ainda que com consciência do "faz de conta" a que é obrigada.

Não é isto violência máxima, geradora de cansaço, frustração, sentimentos de impotência e raiva?

E podia ser que, pelo menos e no imediato, nos mandassem uns quadros novos. Pois, desses de ardósia para giz poeirento. Até isso já era uma grande melhoria!

segunda-feira, outubro 29, 2007

Sem ranking e sem dados

Resultados das provas de aferição do 4º e do 6º ano - Só os conselhos executivos podem aceder à página do Ministério da Educação que disponibiliza estes relatórios.

Imagino que o C.E. de cada agrupamento só acede aos resultados das suas escolas. Em Julho, algumas escolas publicaram os resultados aluno a aluno nas suas páginas da net. Agora tudo fica secreto. Que razões para a reserva?

domingo, outubro 28, 2007

Ligações perigosas

Grelhas e mais grelhas. Se tiverem tempo e paciência, analisem. Eu, por agora, não tenho nem tempo nem paciência.

Auto-avaliação 1º, 2º 3º ciclo e secundário - ver aqui

Avaliação pelo coordenador 1º, 2º, 3º ciclo e secundário - ver aqui

Avaliação de todos os docentes pelo presidente do CE - ver aqui

Auto-avaliação no pré-escolar - ver aqui

Avaliação pelo coordenador no pré-escolar - ver aqui

sábado, outubro 27, 2007

Mais ranking, maior ranger de dentes

Para consulta
Ranking pelos exames de 9º ano da SIC


Por entre as 1292 escolas que constam do rol, a minha escola, que não é TEIP, conseguiu ficar em vigésimo quinto lugar a partir do fim.

Privilegiados, alunos privilegiados!

sexta-feira, outubro 26, 2007

Madrastas

Pus-me a atacar o conto. Que estava farta daquelas madrastas sempre muito malvadas, que estava farta daqueles reis ou príncipes que se apaixonam à primeira vista e casam com as meninas muito boazinhas e infelizes que dizem logo sim e vão ser rainhas ou princesas muito riquinhas e felizes para sempre, que estava farta...
Caíram-me em cima, sobretudo as raparigas. Assim é que estava bem. Uma garantia que as madrastas eram mesmo más, bastava avaliar pela dela.
Que trocasse por miúdos aquela maldade.
- Ora, manda-me sempre pôr a mesa!
- Essa agora! E a tua mãe não te pede que ponhas a mesa?
- A minha mãe manda-me ir estudar, manda-me ir fazer os trabalhos de casa!
Face a uma tão grande valorização do saber estive quase para arrumar as botas. Salvaram-me os que tinham mães que os mandavam pôr a mesa.

Como eu gosto de Os Bichos, do Dom Caio, da Tia Verde-Água, das histórias malucas das Papas Voadoras que o meu avô me contava!


quarta-feira, outubro 24, 2007

Ranking e ranger de dentes

Rico dia para aparecer por aí o ranking das escolas a partir dos exames realizados nas escolas secundárias. Não bastava a telha com que saíra da escola depois de mal ter conseguido realizar um quinto do que planeara para as aulas, ainda vim verificar que a escola secundária que enquadra os alunos que saem da minha 2.3. se encontra nas últimas quinze. É mesmo a última do distrito de Lisboa. Brilhante. Brilhante futuro espera estes jovens maltratados.

Recusando-me a trabalhar na sala destinada a uma das minhas turmas que de momento não oferece quaisquer garantias de segurança - do exterior é possível derrubar um armário que se encontra na sala e atiram-se lá para dentro pedras de dez ou mais centímetros de diâmetro -, tratei atempadamente de descobrir uma sala de substituição. Com a colaboração dos funcionários descobri uma e informei os alunos da deslocação ainda antes do intervalo que antecedia a aula. Tudo preparado para que a aula se iniciasse nas melhores condições. Nas melhores condições dentro do que por ali é possível - por esta sala o ar também não circula, o quadro quase não permite leitura, as mesas onde estão dois a dois são à conta não permitindo isolamentos profilácticos...

Mais uma vez uns quantos chegaram atrasados - é a enorme fila para as senhas para o almoço do dia seguinte, é a casa de banho, é uma qualquer outra esfarrapada justificação. Depois são os malfadados dossiers que, comprados no início do ano lectivo, têm já os ganchos desarticulados. Para corrigir a deformação estes engenhocas aplicam fita cola. Depois, claro, as folhas não correm, é impossível manuseá-las, é impossível escrever. Lá arranjo pressurosa uma tesoura para corrigir a anomalia e abrir o espaço língua portuguesa. Naturalmente que estas manobras geram a confusão. E são 28 alunos, a terça parte dos quais com dificuldade em concentrar-se numa tarefa. Alguns profissionalizados já em "desestabilização", cumprindo a segunda ou terceira retenção no quinto ano. Está muito calor, não se respira aqui dentro, até cheira mal, não consigo ver nada do que está para aí a escrever, deixe-me ir para ao pé do X que daqui não vejo, propostas variadas e brincadeiras alternativas. A escrita é esforço excessivo para alguns. Duas linhas e chega, arrumam o caderno. E a dificuldade em controlar isto quando mal consigo circular entre eles.

O texto tinha pano para mangas. A adaptação a uma nova escola, a xenofobia, a briga no pátio, vocabulário a explorar, nomes próprios, apelidos, alcunhas, diminutivos, adjectivos antónimos, os tipos da frase, o discurso directo... quase não tratei de nada!

Depois ouço a ministra prestando declarações sobre o ranking que não lhe agrada, defendendo muito hipocritamente que a escola deve a todos integrar e a todos ensinar (sic). Senti-me gozada, parte de um imenso logro, personagem de uma enorme anedota. Pior ainda quando, pelo que até agora pude perceber, qualquer daqueles alunos tem capacidade para aprender. Mas assim não.

Curiosamente, não muito longe da minha escola há uma zona endinheirada da cidade. Aí a escola é nova, com excelentes condições. Os alunos chegam ao quinto ano com nove ou dez anos, as turmas têm vinte e dois ou vinte e quatro alunos e julgo que todos sabem ler, escrever e calcular com razoável desenvoltura, o que pude deduzir pelos resultados das suas provas de aferição. A net proporciona estas descobertas. Quando reclamei estabelecendo o escabroso paralelo, explicaram-me que essa escola é um Território Educativo de Intervenção Prioritária, isto é, integra aquele programa TEIP que visa promover o sucesso educativo dos alunos integrados em meios particularmente desfavorecidos que se encontram em situações de risco de exclusão social e escolar.

A todos integrar e a todos ensinar mas a uns muito mais do que a outros.

E há prioridades, que diabo! Esta escola que refiro, no ranking pelos exames do 9º ano, está no septuagésimo lugar. Terá que avançar para as dez ou vinte primeiras. Há que criar-lhe as condições, pois.

Fiquei a ranger os dentes.

domingo, outubro 21, 2007

Doçuras

Desgastada pelas sucessivas saunas a que venho sendo sujeita nos meus barracões de trabalho, decidi ocupar-me um pouco de mim e pus-me a chamar pelo Outono. Usei marmelos, fruta da época, e confeccionei quilos e quilos de marmelada e geleia. Tudo feito a preceito levou tempo e desviou-me da blogosfera.

Notícia fresca e finalmente doce empurrou-me para aqui. Andava outra vez a remoer, apelando ao meu santo Alzheimer (post de 18 de Junho), o triste caso da colega Conceição obrigada a dar as suas aulas sem condições de saúde. Ouvi há pouco que a senhora ministra a libertara totalmente das tarefas escolares. Admitindo que só agora tenha tomado conhecimento da situação, quero aplaudir.

E quero mais uma vez condenar os órgãos de gestão da sua escola que a forçaram a ocupar o seu posto e toda a gente à sua volta que permitiu esta violência. Uns mais papistas que o papa, outros submissos e intimidados. Parece que os pais dos alunos iam finalmente actuar. Levaram tempo mas é melhor tarde que nunca.

Aplaudo a decisão da ministra e quero desejar que sirva para que mais nenhum crime destes seja cometido.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Chamem a polícia, oh, oh, oh...

Está cada vez mais estranho este meu mundo outro. Um senhor Presidente da República aconselha a que se estimem e respeitem os professores. Um senhor Primeiro Ministro diz que sim, que é amante dos professores, só lhes quer bem (sobretudo aos que lhe façam exames por fax). Vai até visitar a sua escolinha no dia 9, como prova de amor e gratidão. Declara que só não aprecia sindicatos e passa aos actos.

As forças policiais, no dia 8, véspera daquele anunciado teatro, invadem um sindicato de professores da zona centro do país. Vasculham, ameaçam, tentam intimidar, dão ordens. Mais uns que querem ensinar a estar. E não será propriamente o sindicato o visado. Pretende-se chegar aos tão amados professores - que se calem, que se conformem e submetam a todas as medidas desvairadas da tutela e das tutelinhas.

Que se mantenham vivamente congelados, que olhem com alegria e ânimo, sem frívolas sensações de excesso de calor ou frio, as degradadas instalações onde trabalham com os seus alunos, que dedicadamente interpretem quilómetros de legislação absurda, que preencham denodadamente grelhas e mais grelhas estapafúrdias, não só para avaliar os alunos, mas para que eles próprios sejam avaliados por uns espíritos superiores que os impedirão de sair da cepa torta, que dêem com sentido de servir 40 ou 50 horas semanais para a nação, que... que...que façam "boa figura".

A esta hora devem estar a preparar-se bandeirinhas para que professores e estudantes acenem em uníssono e simpaticamente, recebendo nas suas "escolas de origem" tão ilustres personagens, primeiro-ministro, ministros, deputados... É preciso ensinar as pessoas a figurar convenientemente nestas encenações.

Eu sugeria flores de plástico. Vi outro dia o povo da Coreia do Norte agitando flores de plástico em rosa e vermelho na recepção aos ilustres da Coreia do Sul. Achei de belo efeito e fiquei a pensar que é melhor uma flor de plástico na mão que uma bastonada no lombo.

Chamem a polícia, oh, oh, oh... chamem a polícia!


quinta-feira, outubro 04, 2007

Meios humanos

Fiquei agorinha mesmo a saber (última hora do Público) que os inspectores são meios humanos. Afirmou-o o senhor Secretário de Estado.
Que esperar de meios humanos?
São meios humanos e meios que mais?
E vai haver concurso para inspectores. Os meios humanos que corram a preparar candidatura.
Como humana inteira que sou, não posso candidatar-me e vou mas é dormir.
Voltarei a este intrigante assunto a horas menos tardias.